Em 25 de setembro completam-se 50 anos da morte de Lotta de Macedo Soares, a idealizadora do Aterro do Flamengo. A obra a que Lotta se dedicou com paixão, magnificamente fotografado por Marcel Gautherot, teve projeto urbanístico e arquitetônico de Affonso Reidy e continua símbolo do Rio de Janeiro, tão ou mais icônico do que quando Rachel de Queiroz escreveu esta carta/ crônica.

[Rio de Janeiro], 16 de fevereiro de 1972

Querida Lotta, se no assento etéreo on­de você deve estar, memórias desta vida se consentem, se você vê as coi­sas cá debaixo, há de sentir uma grande alegria contemplando o seu Parque do Flamengo. Sim, o seu Par­que, Lota. Que você inventou, criou, ti­rou daquele aterro bruto, acompanhando-o pedrinha por pedrinha, planta por planta, flor por flor. Todas as suas canseiras, as lutas, a […]

Transplantados de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro desde a década de 1940, onde se destacaram no jornalismo carioca, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende mantiveram-se unidos por toda a vida. Entre 1957 e 1959, quando o segundo esteve como adido cultural do Brasil em Bruxelas, Paulo lhe escrevia cartas ou publicava crônicas, como esta, para se aproximar do amigo.

Meu caro e velho Pajé,

Imagine você que recebi de presente uma caixa de papel de carta uma beleza, que eu enviaria gostosamente à madame Sévigné[1] de nossa época, se lhe soubesse o nome e endereço. Enfim, voilà une lettre! Às vezes dou comigo invejando você aí em Bruxelas ou o ve­nerando [Murilo] […]

Todo o estado de encantamento e emoção trazido pela paixão é plenamente interpretado por Rubem Braga nesta carta/ crônica em que o autor mescla fantasia e realidade em atmosfera onírica. 

[Rio de Janeiro], 5 de abril de 1956[1]

Minha querida,

Recebi sua carta à hora em que ia saindo de casa. Li-a de um só trago, voltei ao quarto para guardá-la e desci – um amigo me esperava lá embaixo. Fomos conversando até a cidade, e gostei quando me despedi dele, porque o […]