Na noite da votação das Diretas Já, movimento civil que exigia eleições presidenciais diretas no Brasil, a atriz Fernanda Montenegro escrevia ao amigo e dramaturgo Augusto Boal, com quem manteve constante correspondência durante o período em que ele esteve no exílio. Antes de enviá-la, Fernanda já podia dar a má notícia do resultado, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.[1]

Rio [de Janeiro], 25 de abril de 1984

Querido Boal,

Acabo de receber sua carta, dizendo que você chega breve.

Hoje, no Brasil, vivemos uma noite especial, pois estão sendo votadas as Diretas no Congresso, e tudo pode acontecer. Multidões estão de plantão em todo o país. A votação vai pela noite.

Boal, tudo mudou nos planos do Theatro Municipal. Tatiana saiu. O […]

Anos após a perda do irmão, Paschoal Carlos Magno escreveu esta carta ao sobrinho, Armando, que criara como filho. A retrospectiva revela a ternura e o empenho com que o tio cuidou da formação de Armando na atual Casa Paschoal Carlos Magno, que abriga o Teatro Duse, em Santa Teresa.

S.l., 1º de janeiro de 1953

Tinhas meio palmo de altura quando ficaste órfão.

Teu pai era um dos homens mais feios do mundo; mas inteligente e culto, com uma con­versa fascinante. E viajadíssimo.

Daí em diante tomei a tarefa de olhar por ti como se fosses meu filho.

E cresceste na nossa casa tão cheia de livros de teatro, de […]

O amigo que quisesse um boa conversa, certamente pensaria logo em Otto Lara Resende. Foi o que aconteceu com o crítico teatral Sábato Magaldi que, sob efeito da boa notícia de ter recebido o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, mas impossibilitado de uma conversa face a face, escreve esta carta ao amigo.   

Aix, 31 de abril de 1990

Meu caro Otto,

Amanhã é seu aniversário e como não terei oportunidade de telefonar a você (pretendemos sair de Aix), mando meu abraço epistolar, que só será recebido mais tarde. Morro de saudades de um bom papo. A gente se encontrará, nas minhas férias?

O Lêdo me comunicou que a Academia me atribuiu o Prêmio […]

No exílio entre 1971 e 1986, o dramaturgo Augusto Boal se correspondeu com uma série de amigos que lhe davam notícias da situação política e cultural do Brasil sob o regime militar. Todo um panorama do universo artístico de 1978 é vivamente descrito, nesta carta, pelo ator e diretor Fernando Peixoto, ligado ao Teatro Oficina e ao Teatro de Arena, a que Boal é visceralmente  ligado. Parte dessa correspondência integra a exposição Meus caros amigos – Augusto Boal – cartas do exílio, em cartaz no IMS de 4 de junho a 21 de agosto de 2016.

São Paulo, 4 de março [de 1978]

Boal,

Acabo de escrever 26 laudas sobre você! Misturei Liège e Paris, num longo artigo-reportagem para a revista do Ênio [Silveira]. O Milagre[1] vai sair breve. Escrevi um projeto da edição do teu teatro. Não encontrei com ele pessoalmente, mas me parece que a coisa sai. Sei que ele vai editar também o […]

A atuação de Decio de Almeida Prado na coluna de crítica teatral em O Estado de S. Paulo mudou a feição do gênero, mostrou-se fundamental para a formação de um novo tipo de público, além de ter sido respeitada por toda uma geração de profissionais no país, entre os quais o ator Gianfrancesco Guarnieri e Cecília Thompson, jornalista e atriz com quem foi casado. Decio reuniu alguns de seus textos em Teatro em progresso, cujas críticas às peças de Guarnieri motivaram esta carta de Cecília em retrospectiva de um período importante para o teatro brasileiro.

São Paulo, 10 de dezembro de 1972

Prezado Decio,

Domingo à tarde. Reli, comovidamente, durante duas horas, todas as suas críticas, em Teatro em progresso, às peças de Guarnieri. E ficou forte a necessidade de lhe escrever: para dizer o quanto essas horas foram importantes, o quanto me devolveram um “tom”, uma convivência, um diálogo há muito perdidos. Também no plano pessoal: […]