A atuação de Decio de Almeida Prado na coluna de crítica teatral em O Estado de S. Paulo mudou a feição do gênero, mostrou-se fundamental para a formação de um novo tipo de público, além de ter sido respeitada por toda uma geração de profissionais no país, entre os quais o ator Gianfrancesco Guarnieri e Cecília Thompson, jornalista e atriz com quem foi casado. Decio reuniu alguns de seus textos em Teatro em progresso, cujas críticas às peças de Guarnieri motivaram esta carta de Cecília em retrospectiva de um período importante para o teatro brasileiro.

São Paulo, 10 de dezembro de 1972

Prezado Decio,

Domingo à tarde. Reli, comovidamente, durante duas horas, todas as suas críticas, em Teatro em progresso, às peças de Guarnieri. E ficou forte a necessidade de lhe escrever: para dizer o quanto essas horas foram importantes, o quanto me devolveram um “tom”, uma convivência, um diálogo há muito perdidos. Também no plano pessoal: […]

Um mês após a morte do ator e diretor de teatro Antônio Abujamra, apresentador do programa Provocações na TV Cultura, um jovem estudante de jornalismo e seu admirador lhe escreveu esta carta.

[Rio de Janeiro], 28 de maio de 2015

Querido Abu,

Agora já faz um mês desde que você se foi, aos 82. Sabe, estou com saudades.

Não que nos víssemos tão frequentemente assim, que já tenhamos trocado algumas palavras ou realmente nos conhecêssemos. Mas isso não importa. Seus programas de entrevista gravados e colocados no YouTube foram suficientes para passarmos muitas horas juntos, […]

Em 1868, Machado casou com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, irmã de seu amigo e poeta Faustino Xavier de Novais. A morte da mulher, em 20 de outubro de 1904, depois de 35 anos de convivência, lhe inspirou o antológico soneto “A Carolina”. Machado ainda exprimiu a dor da perda nesta carta a Nabuco.

Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904

Meu caro Nabuco,

Tão longe, em outro meio, chegou-lhe a notícia da minha grande desgraça, e você expressou logo a sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que lhe agradeci[1] é a mesma que ora lhe mando, não sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me acabrunha. Foi-se […]

Drummond teve uma única filha, Maria Julieta Drummond de Andrade, que, em 1949, se casou com o advogado portenho Manuel Graña Etcheverry, chamado de Manolo, e foi morar em Buenos Aires, onde deu à luz três filhos: Carlos Manuel, Luís Maurício e Pedro Augusto Graña Drummond.

Rio de Janeiro, 9 [de] janeiro [de] 1950

Juju flor,

Sua carta do dia 4 foi a alegria de ontem, e muito nos enterneceu, sobretudo pelo relato circunstanciado da viagem a Deán Funes,[1] com aqueles esquecimentos que tanto atrapalharam você e que serviram para confirmar aquilo que nós já sabíamos, a saber, que Manolo é uma grande figura. Por aqui, a […]

Dois anos mais velho que Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende tinha no amigo o interlocutor de intermináveis conversas desde a juventude, em Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, onde, com suas famílias, moraram até o fim da vida, aprofundaram a amizade, só interrompida com a morte de Hélio, assunto desta carta de Otto ao amigo Francisco Iglésias, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.

Rio de Janeiro, 25 de março de 1988

Iglésias,

Estava querendo lhe escrever para pedir al­guns subsídios sobre o café em Minas Gerais, a come­çar pela tese do João Heraldo Lima. Cheguei a falar disto ao Hélio [Pellegrino] outro dia mesmo.

Aí acontece o que aconteceu. Vi o João no ve­lório e lhe pedi a tese. Ele ficou de mandar. Meu in­teresse obedece […]