Dois anos mais velho que Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende tinha no amigo o interlocutor de intermináveis conversas desde a juventude, em Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, onde, com suas famílias, moraram até o fim da vida, aprofundaram a amizade, só interrompida com a morte de Hélio, assunto desta carta de Otto ao amigo Francisco Iglésias, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.

Rio de Janeiro, 25 de março de 1988

Iglésias,

Estava querendo lhe escrever para pedir al­guns subsídios sobre o café em Minas Gerais, a come­çar pela tese do João Heraldo Lima. Cheguei a falar disto ao Hélio [Pellegrino] outro dia mesmo.

Aí acontece o que aconteceu. Vi o João no ve­lório e lhe pedi a tese. Ele ficou de mandar. Meu in­teresse obedece […]

Em 1969, Rubem Braga foi operado de um nódulo no pulmão. Sobreviveu a essa cirurgia por 21 anos, quando, no começo de 1990 foi diagnosticado com câncer na laringe. Na véspera de morrer, definiu o destino que devia ser dado às suas cinzas neste bilhete ao seu único filho.

Rio de Janeiro, terça-feira, 18 de dezembro de 1990

Meu filho,

Após a cremação de meu corpo, providencie que as cinzas sejam transportadas em urna de metal, e não de madeira, e lançadas ao rio Itapemirim. De maneira discreta, sem cortejo e sem quaisquer cerimônias, por pouquíssimas pessoas da família, e de preferência no local que só a sua tia Gracinha, minha irmã Anna […]

Diferentemente dos temas predominantemente literários de que se ocupou Monteiro Lobato na sua correspondência com o amigo Godofredo Rangel, nesta carta ele fala sobre a precariedade de sua saúde e de sua bem-humorada ideia da morte, que chegaria menos de duas semanas depois.

S.l., véspera de São João, [23 de junho de] 1948

Rangel,

Chegou afinal o dia de te escrever, e vai a lápis, porque a pena me sai mal. Ainda estou com uma perturbação na vista. Uma pertur­bação que se vai deslocando do meu campo visual, e que num mês deve estar desaparecida. Só então voltarei a ler correntemente. Tenho estado, todo este tempo, privado de […]

Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade, que ele chamava de Purezinha, em 28 de março de 1908 e com ela teve quatro filhos: Marta, Edgar, Guilherme e Rute. Os dois filhos homens morreram ainda na juventude, como mostra esta carta escrita depois da morte do segundo.

São Paulo, 20 de fevereiro de 1943

Rangel,

Pois é. Perdi o meu segundo filho, o Edgard, um menino de ouro, tal qual o Guilherme. Impossível filhos melhores que os meus, e talvez por isso foram chamados tão cedo. O Guilherme se foi aos 24 anos e agora o Edgard com 31. Ele nunca se esqueceu da primeira carta rece­bida pelo correio, […]

Esta carta, escrita por Machado de Assis uma semana depois da morte de Eça de Queiroz, em 16 de agosto de 1900, não deixa dúvida quanto  à admiração que o romancista brasileiro nutria por um de seus pares mais próximos.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1900

Meu caro Henrique Chaves,

Que hei de eu dizer que valha esta ca­lamidade? Para os romancistas é como se perdêssemos o melhor da família, o mais esbelto e o mais válido. E tal família não se compõe só dos que entraram com ele na vida do espírito, mas também das relíquias da outra geração e, […]