Aos 18 anos, quando publicou seu primeiro livro, Os grilos não cantam mais (1941), Fernando Sabino enviou um exemplar a Mário de Andrade, àquela altura já escritor de grande prestígio. A resposta do autor de Macunaíma deu início a um diálogo epistolar por meio do qual se estabeleceu uma relação de mestre e discípulo de que esta carta é exemplo.

São Paulo, 16 de fevereiro de 1942

Fernando Sabino,

Vou pegar esta segunda-feira de carnaval pra lhe responder mais longamente. Você já deve ter recebido um cartão meu a respeito do assunto que você me propôs. É que a sua carta respirava um tal desejo de saber logo o que eu imaginava sobre o problema que tocava imediatamente a prática de sua […]

A grandeza humana e retidão de caráter do escritor Rodrigo Mello Franco de Andrade são tema desta carta que Alceu Amoroso Lima, ou Tristão de Athayde, como ficou conhecido, escreveu à filha Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo.

Petrópolis, 13 de maio de 1969

[…][1]

Muita gente e pouco espaço no enterro do Rodrigo. Tanto assim que nem vi que dom Marcos estava celebrando missa de corpo presente. Fiquei conversando com o Américo Lacombe,[2] o Xará[3] e outros. Havia em todos um sentimento profundo e também visível. Apesar das inevitáveis conversas, respirava-se um […]

Amigos desde a infância, em Belo Horizonte, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino mantiveram entre si – e com Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, com quem formavam o grupo dos “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse” – constante e divertida correspondência, como prova esta carta escrita pelo autor de O encontro marcado.

Rio [de Janeiro], 7 de junho de 1945

Hélio,

Vou te escrever uma carta amanhã. Uma carta mesmo de verda­de, para o Murilo [Rubião] levar. São três horas da manhã, estou cansado.

Fiquei comovido com sua Carta-Poema. Você é um grande poe­ta, um grande amigo, um grande sacripanta.[1]

É engraçado, Hélio, não há meios de segurar o tempo, e eu queria […]

“Foi amor à primeira vista”, afirmou Caio Fernando Abreu sobre Ana Cristina Cesar, que conheceu em 1982, ano do lançamento de A teus pés, primeiro livro da poeta homenageada na FLIP de 2016. A amizade se desenvolveu por meio de cartas e encontros que perduraram até a morte dela, em 1983. Doze anos depois, o escritor, cujos 20 anos de morte se completaram em 2016, publicou esta carta, enviada por Ana, em uma matéria que escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo.

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1982

Te escrevo, Caio querido, com teu telefonema ainda quente, deixo Proust de lado e a burocracia editorial da lista de nomes e endereços e ceps, que me consola como um álbum de figurinhas. Ando gemebunda. Aguardo bem o livro[1] mas com aflição do número imprensa e dos falsos elogios dos amigos. Lançamento vai […]

Quando o pintor e poeta Vicente do Rego Monteiro propôs a João Cabral de Melo Neto publicar Pedra do sono na revista Renovação, que editava, Cabral entrou em pânico e tentou, inutilmente, demover o amigo da ideia. Conseguiu dele, porém, a promessa de que do livro não se faria uma separata, como era costume, e que a publicação ficaria subordinada à opinião de Carlos Drummond de Andrade. “Sinto que não é esta a poesia que eu gostaria de escrever”, afirmara em carta a Drummond, que, em resposta, lhe enviou esta, incentivando-o a publicar os poemas mesmo assim.

Rio [de Janeiro], 17 de janeiro de 1942

Meu caro João Cabral,

A falta de resposta deve implicar consentimento, não desaprovação. Como você pensa de outro modo, quero manifestar-lhe expressamente minha opinião sobre a inclusão do seu livro na coletânea de Vicente do Rego Monteiro.[1] Acho que você deve publicar. Sou de opinião que tudo deve ser publicado, uma vez que […]