Este poema-epístola enviado como carta por Paulo Leminski ao poeta e amigo Régis Bonvicino integra um conjunto que, para o último, não só confirma a ideia de dissolução de limites na poesia de Leminski, como também mostra seu processo criativo e sua concepção de poesia.

S.l., outubro de 1977

Paulo, pequeno irmão,
da pequena cidade de Curitiba,
ilha de certeza
cercada de pequenos problemas por todos os lados,
a Régis, grande irmão,
na grande cidade de São Paulo,
cercado por um grande problema

………….

pare de se lamentar
como uma velha carpideira siciliana

esse teu medo de […]

O verso “Minas não há mais”, do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, inspirou a organização da mesa “Minas não há mais?” no Seminário sobre economia mineira, coordenado por Francisco Iglésias e realizado em Diamantina entre 15 e 17 de setembro de 1982. Esta é a resposta de Drummond ao amigo que lhe escrevera dando notícias sobre o evento.  

Rio [de Janeiro], 29 de setembro [de] 1982

Meu caro Iglésias,

Obrigado pela sua boa carta. Gostei de ter notícia do Seminário, coordenado por você com a notória competência. De acordo com o resultado: Minas e – acrescento – haverá sempre, se soubermos preservar certas marcas imunes à industrialização e ao cosmopolitismo, e conviventes com eles. A gente carrega Minas no sangue, […]

Até onde pode ir o processo de criação de uma obra? Com Murilo Rubião, a gestação de um conto pode durar pelo menos 15 anos – é o que mostra esta carta a Otto Lara Resende, com quem comenta “Teleco, o coelhinho”, incluído no livro Os dragões e outros contos, de 1965. 

Belo Horizonte, 30 de março de 1950

Velho Otto,

Não pense em possíveis ingratidões, que elas não existem. Toda mudança envolve ambientação nova, novos compromissos. E sendo retorno, temos que reatar velhos amores, reajustar nossa máquina bélica para outros empreendi­mentos sentimentais.

Não foi o que fiz. Deixei-me embalar por essa inefável monotonia belorizontina, que pode irritar os menos avisados, mas que tanto […]

Não é comum ler-se uma carta tão divertida para tratar de assunto sério como a posse na Academia Brasileira de Letras. É o que faz o escritor e diplomata Ribeiro Couto, consagrado autor do romance Cabocla, quando seu amigo, o poeta Lêdo Ivo, preparava-se para ser empossado na Casa de Machado de Assis.

Belgrado, 24 de março de 1961

Meu caro Lêdo Ivo,

Já não me lembrava daquela história do acento circunflexo no Lêdo. En­tretanto, eu teria feito hoje mesmo a mesma reflexão se você, me aparecen­do com 18 anos como então, tivesse o ar de quem aceita sugestões afetuosas de um camarada já vivido. Continuo achando inútil o circunflexo.[1]

Não vá […]

Esta carta do autor de Capitães da areia foi escrita especialmente para o Calendário Pirelli de 1971, cujo tema era “a Bahia de Jorge Amado”. Nela, o escritor fala de seu estado natal e também de seus livros e personagens famosos, como Dona Flor e Gabriela. Reproduz-se aqui uma pequena parte da edição em livro que pertence ao arquivo de Otto Lara Resende, sob a guarda do Instituto Moreira Salles.

Salvador, junho de 1970

A admiradora perguntou ao pintor Carybé, o mais baiano dos baianos:

— O senhor nasceu na Bahia?

O pintor das mulatas, dos orixás, da puxada de xaréu,[1] da capoeira, respondeu com seu sorriso breve:

— Não mereci, minha senhora.

Bem que merecia e ninguém mais do que ele pois de suas mãos mágicas […]