Euclides da Cunha e Vicente de Carvalho tinham mais em comum do que o fardão da Academia Brasileira de Letras. É do autor de Os Sertões, também amigo pessoal do poeta parnasiano, o prefácio de Poemas e canções, livro que abriria as portas da Academia Brasileira de Letras para Vicente, em 1909.  Nesta carta, o parnasiano revela o personagem heroico do poema “Fugindo ao cativeiro”, no qual Manuel Bandeira identificou “força épica”, e é incluído no livro.

São Paulo, 31 de agosto de 1908

Euclides,

Enfim posso escrever-te, e mandar-te, dos Poemas e canções, os versos que não fazem parte da Rosa, rosa de amor… Quer dizer: o livro compor-se-á dessas 160 páginas de versos, que vão, e da Rosa, rosa de amor

Como te mandei dizer, o prefácio irá com numeração romana, e em tipo diferente. Uma parte […]

Neste 2019, a coletânea Cartas a um jovem poeta completa 90 anos de publicação. O conjunto de 10 missivas escritas entre 1903 e 1908 ao jovem Franz Xaver Kappus é um dos mais altos momentos da sensibilidade e do pensamento de Rainer Maria Rilke. Para comemorar a data, o Correio IMS convidou Armando Freitas Filho para escrever uma carta a um jovem poeta de nosso tempo.

Rio de Janeiro, 3 de abril de 2019

Meu caro poeta:

Bem sei, não consigo escrever, nem de longe, como Rilke fez com Franz Kappus. Por isso mesmo recomendo a leitura das cartas escritas por ele para quem o procurou faz tanto tempo.

Mas falo da minha experiência, que pode servir a todos que queiram se impregnar de poesia e apreender o poético […]

Colega de curso na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde  Lygia Fagundes Telles era a única mulher, Antonio Candido, nesta carta, relembra o período em que conheceu a escritora em um concurso de contos. Desta vez, o crítico literário a felicita pelo recebimento do Prêmio Camões – o mais importante da literatura de língua portuguesa –, e reivindica o lugar de ter sido dos primeiros a reconhecer-lhe o talento.

São Paulo, 15 de maio de 2005

Querida Lygia:

Parabéns pelo Prêmio Camões, com muito orgulho para mim por tê-la como colega de galardão. Ninguém o merece mais do que você, não apenas pela alta qualidade da obra, mas pela dignidade da carreira, construída com persistência equivalente à força do talento, num exemplo de vocação servida desde a adolescência pelo trabalho consciente.

[…]

Lygia Fagundes Telles cursava ainda a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco quando começou a trabalhar como assistente do Departamento Agrícola do Estado de São Paulo. Embora estudasse para ser advogada, como o pai, aos 20 anos estava certa de que sua vocação era a literatura. Esta carta, escrita para Erico Verissimo, de quem era amiga, testemunha a insatisfação com o cargo público e a criação improvisada de um pequeno e delicioso conto.

São Paulo, 3 de julho de 1943

Erico Verissimo, estou numa sala onde trabalho, isto é, onde devo deixar todos os dias num livro, fincado como um marco, o vestígio da minha passagem. Em outros termos, funcionária pública, a pior funcionária pública que existe no mundo. Leio romances enfurnados na gaveta, tenho o ar dolorido para que não me deem serviço e, […]

Colaborador dinâmico em periódicos na América do Sul, junto com sua mulher, a intelectual Lidia Besouchet, Newton Freitas divulgou a literatura brasileira durante seu exílio, sobretudo em Buenos Aires, no período da ditadura militar. Iniciada em 1940, a amizade entre Mário de Andrade e Newton, apesar de curta, foi intensa. Mário via em Newton “o sul-americano sem sumário, que vive necessariamente em sul-americanismo”. Para este, o autor de Macunaíma foio mais belo episódio” de sua vida, porque reunia e resumia as figuras de mestre, herói e irmão mais velho.

São Paulo, 16 de abril de 1944

Meu caro Newton,

Esta carta vai lhe causar algum desgosto, se prepare. Estou respondendo à última sua, que tem tanto assunto que vou responder rápido um por um […].[1] Eu estava no hospital, e aliás mesmo que estivesse presente nada poderia fazer, está claro. Por coincidência, no dia em que o Petit chegou, […]