No dia 24 de agosto de 1954 o corpo do então presidente Getúlio Vargas foi encontrado em seu quarto, no Palácio do Catete. A ideia do suicídio existia pelo menos desde o dia 13 de agosto, quando escreveu, de próprio punho, a primeira versão de uma carta testamento [veja a Galeria de imagens], encontrada por Hernani Fittipaldi, seu ajudante de ordem. A versão final desse documento, datilografada pelo amigo e secretário José Soares Maciel Filho, entrou para a História do Brasil como registro de um de seus momentos mais dramáticos.

Primeira versão

Rio de Janeiro, agosto de 1954

Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte.

Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia.

A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram […]

Obrigado a viajar para São Paulo a fim de tentar resolver crise política que ameaçava a ordem no Estado, dom Pedro I entregou temporariamente o governo a dona Leopoldina. Dias depois, recebeu a notícia de que Portugal exigia sua volta. Temendo que as tropas portuguesas atacassem o Rio de Janeiro antes do retorno do marido, em 2 de setembro a futura imperatriz presidiu reunião do Conselho de Estado, que deliberou pela independência do Brasil. A carta que se reproduz aqui teria sido lida por dom Pedro no dia 7 de setembro, às margens do Ipiranga, antes do lendário grito “Independência ou morte!”.

Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1822

Pedro,

O Brasil está como um vulcão. Até no paço há revolucionários. Até portugueses revolucionários […].[1] As cortes portuguesas ordenam vossa partida imediatamente; ameaçam-vos e humilham-vos. O Conselho de Estado vos aconselha a ficar. Meu coração de mulher e de esposa prevê desgraças se partirmos agora para Lisboa. Sabemos bem o que tem […]

Capitão da artilharia francesa, Alfred Dreyfus foi réu no caso hoje considerado um dos maiores erros judiciários da História. Acusado de ser o autor de uma carta, remetida ao adido militar alemão em Paris, contendo informações sobre recursos e planos de defesa do exército francês, Dreyfus foi submetido a uma cerimônia de degradação no pátio da Escola Militar, no dia 5 de janeiro de 1895, em Paris, ocasião em que lhe quebraram a espada e lhe arrancaram as insígnias da honra militar. Dois dias depois, Rui Barbosa, que estava em Londres, protegendo-se das arbitrariedades do marechal Floriano, e era colaborador no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, escreveu esta carta, publicada nesse jornal em 3 de fevereiro, tornando-se assim o primeiro defensor do capitão Dreyfus. Em 1898, Émile Zola, convencido da inocência do réu, publicaria no jornal L’Aurore uma carta aberta que ficaria conhecida pelo título de “J’accuse” e em que considera o caso “o monumento mais execrável da infâmia humana”. Depois de batalha judiciária que durou doze anos, e de uma deportação cruel à ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus teve sua inocência provada e a honra reabilitada.

Londres, 7 de janeiro de 1895

Eis aí um fato de expressão quase trágica, sobre o qual se acaba de exercer distintamente a consciência dos dois povos que a Mancha separa: um, na maneira de resolvê-lo; o outro, na de considerá-lo. Decompostas através dele, como dois feixes diferen­tes de luz coados pelo mesmo prisma, destacam-se em matizes característicos certas qualidades de […]

No dia 24 de julho de 1859, um barco francês que vinha de Argel desembarcou em Fortaleza, no Ceará, trazendo catorze camelos. A ideia de substituir bois pelos exóticos animais foi do barão de Capanema e do poeta Gonçalves Dias, integrantes da Comissão Científica de Exploração, patrocinada por dom Pedro II e depois, por seu insucesso e desperdício de gastos, conhecida como Comissão das Borboletas. A substituição, ridicularizada por ter provocado a morte de um dos animais, gerou polêmica, como mostra esta carta de Gonçalves Dias ao sogro, a quem trata por pai. O poeta integrou a comitiva na condição de etnógrafo, conforme se lê em artigo da Brasiliana Iconográfica

Ceará, 20 de abril de 1859

Meu bom pai e amigo,

Escrevi-lhe por este paquete, mas com data bem atrasada porque as mandei lançar no correio na véspera da minha partida para Aratanha, onde fui agradecer à família Costa o obséquio que por nossa conta prestou ao pobre Assis. Agora, isto é, neste mesmo momento, recebo a sua de 6 de […]

Fundada em Paris em 1534 por Inácio de Loyola e outros seis companheiros, a Companhia de Jesus chegou ao Brasil em 1549, na armada de Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral enviado por Portugal. Os jesuítas, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega, tinham a missão de converter os indígenas à fé católica pela catequese e pela instrução.

Salvador, 10 de agosto de 1549

Ao doutor Navarro, mestre em Coimbra,

Gratia et pax Domini Nostri Jesu Christi sit semper nobiscum. Amen.[1]

Pensando eu muitas vezes na graça que o Senhor me fez, mandando-me a estas terras do Brasil para dar princípio ao conheci­mento e louvor do seu santo nome nestas regiões, fico espantado de ter sido para […]