Drummond teve uma única filha, Maria Julieta Drummond de Andrade, que, em 1949, se casou com o advogado portenho Manuel Graña Etcheverry, chamado de Manolo, e foi morar em Buenos Aires, onde deu à luz três filhos: Carlos Manuel, Luís Maurício e Pedro Augusto Graña Drummond.

Rio de Janeiro, 9 [de] janeiro [de] 1950

Juju flor,

Sua carta do dia 4 foi a alegria de ontem, e muito nos enterneceu, sobretudo pelo relato circunstanciado da viagem a Deán Funes,[1] com aqueles esquecimentos que tanto atrapalharam você e que serviram para confirmar aquilo que nós já sabíamos, a saber, que Manolo é uma grande figura. Por aqui, a […]

Entre Armando Freitas Filho e Ana Cristina Cesar estabeleceu-se uma relação “intensa e produtiva” e de “confiança pessoal e literária”, segundo o poeta. Mesmo morando na mesma cidade, tinham o hábito de trocar cartas, como esta.

Rio [de Janeiro], 4 de janeiro de 1982

Ana Colorida,

Você é um caleidoscópio ou o quê? Quando entra, nas Residências Leonor, (tinha que ser no plural sua casa), múltipla, globe-trotter,[1] a vizinhança não se espanta diante de suas sandálias de sete léguas, de suas alpargatas sete vidas, de seus sapatos sete fôlegos?

Ana ubíqua, dúbia loura, acabará se casando com […]

A paixão de Graça Aranha por Nazaré Prado, sua companheira nos últimos anos de vida, inspirou as cerca de três mil cartas que ele lhe endereçou, dentre as quais a que se reproduz aqui. Parte dessa correspondência foi reunida por ela em Cartas de amor (1935), que permanece inédito. Graça Aranha foi casado com Maria Genoveva, a Iaiá, filha do conselheiro José Bento de Araújo, presidente da província do Rio de Janeiro entre 1888 e 1889.

Haia, 2 de janeiro de 1914
Sexta-feira, 6 horas

Minha doce Petite Chose adorée, alma de minha alma, meus formosos olhos de saudade! meu Tudo, oh!, como eu te tomaria nos meus braços apaixonados e te beijaria e na pos­se suprema realizaríamos o profundo e eterno desejo dos nos­sos seres imortalmente amantes!

Esta separação está sendo tão dura, hélas!, e não há con­solo possível […]

Incentivado pela noiva, a baiana Maria Augusta, Rui Barbosa deixa a Bahia, seu Estado natal, e embarca para o Rio de Janeiro em busca de desenvolvimento de sua carreira jurídica. Luta para vencer as saudades, que descreve nesta carta, mas está certo de ser esse seu caminho na vida.

[Bordo do Habsburg], 26 de maio [de 1876], às cinco e meia da tarde

Aí vem, querida noiva, tão desconsolada e saudosa como as de anteontem e ontem, a noite de hoje. É a hora em que eu me enchia de alvoroço, preparando-me para ver-te. Agora quem me dera um olhar teu, aquela meiguice do teu sorriso, a doçura da tua submissão aos meus desejos, a afetuosa severidade, tão […]

Em 1893, Rui Barbosa travou intensa campanha contra o governo do então presidente marechal Floriano Peixoto nas páginas do Jornal do Brasil. Ao eclodir a Revolta da Armada, movimento desencadeado pela Marinha de Guerra do Rio de Janeiro contra o marechal, em setembro daquele ano, Rui Barbosa, considerado o mentor intelectual do levante, foi obrigado a refugiar-se na própria cidade do Rio, de onde escreve à mulher, antes de partir para o exílio em Buenos Aires.

[Rio de Janeiro], 7 de setembro [de 18]93

Minha Maria Augusta,

Estou experimentando pela primeira vez as “delícias” de ser preso, e preso inocente. Não obstante a fidalguia com que sou tratado, a boa camaradagem em que vivemos com o dono da casa, tipo de qualidades simpáticas e distintas, minha situação de espírito, pela ausência tua e de nossos filhinhos, é infinitamente dolorosa, […]