Durante a revolução constitucionalista de 1932, contra o governo do então presidente Getúlio Vargas, o jornalista Júlio de Mesquita Filho lutou no front, de onde, de 9 de julho a 2 de outubro, se correspondia com a mulher, Marina. Apaixonada, ela enfrenta com coragem e bom humor a ausência do marido, sem deixar de se revoltar pela falta que ele lhe faz.

São Paulo, 14 de julho de 1932

Meu Julinho,

Depois da conversa com você, encontrei na porta da estação Marcos Ribeiro dos Santos, que amavel­mente se ofereceu para qualquer coisa que eu precisasse lhe mandar. Aproveitei o oferecimento no ar e já vai aqui esta mal traçada missiva e roupas, escova de dentes, pasta etc., tudo de que você precisa por aí. […]

Regente e ex-diretor do Teatro Municipal, Francisco Mignone, ou Chico Bororó, como assinava suas composições ligadas à música popular, já era casado com a concertista Maria Josephina quando precisou viajar ao Canadá, a trabalho. De lá, enviou esta carta apaixonada à mulher – para ele, uma forma de “zelar por esse nosso amor grande”.

Montreal, 30 de abril de 1964

Minha cada vez mais querida Jô,

Se você soubesse ou pudesse imaginar ou longe supor do como e quanto eu fico entristecido para comigo mesmo quando, sem o querer, digo coisas que lhe dão pesar e tristeza, você de imediato perdoaria a este “seu Franz”. – O meu amor por você é tão grande, tão […]

Protagonistas de uma história de amor e de política, Olga Benário Prestes e Luiz Carlos Prestes casaram-se e continuaram a cumprir a missão da Internacional Comunista no Rio de Janeiro. Presa e depois extradita para a Alemanha, Olga deu à luz Anita Leocádia numa prisão em Berlim. De lá, escreveu esta carta ao marido, preso no Rio, dando notícias de Pom-Pom, apelido da filha, que seria libertada em 1938.

Berlim, 9 de agosto de 1937

Carlos, meu querido,

Conforme o prometido, quero escrever-te. Inicialmente, desejo falar-te da permissão que obtive para conversar com a madame Ewert.[1] Por fim as administrações cederam às mesmas solicitações repetidas e, assim, pude revê-la pela primeira vez após dez meses e mostrar-lhe nossa filhinha. Compreenderás que, após todos os sofrimentos comuns, eu a […]

Os temas de amor e morte, dominantes na poesia de Schmidt, têm origem no seu permanente estado amoroso e sua profunda angústia em relação à morte. Para aguçar os conflitos que já lhe eram naturais, surgiu Yedda Ovalle Schmidt, com quem o poeta se casaria para viver uma relação intensa, a que não faltou sofrimento, como mostra esta carta.

[Rio de Janeiro], s.d.

Amanhã não verei você. Os céus estão fechados pa­ra mim. Seu amor me inquieta de uma maneira terrí­vel e continuada. Hoje, pensei que de um momento pa­ra outro a posso perder e senti meu coração pesado e triste. Fora de você só há a morte. A cada momento que passa, eu sinto como é infinita […]

Nem sempre um amante é capaz de ter a coragem de se expor tanto como Schmidt nesta carta a Yedda, sua mulher. A relação dos dois, tumultuada desde o namoro, serviu de inspiração para o poeta que privilegiou os temas de amor e morte na sua obra poética.

S.l., s.d.

Não sei, mas há um sentimento novo em mim a teu respeito. De onde vem e o que é, não sei bem. Sei ape­nas que é triste e traz como que um vago tom de desa­lento e resignação. Sinto que há alguma coisa se mo­vendo em nós de inexorável. Alguma coisa nos sepa­rando. Eu estaria […]