Entre a solidão no momento de deixar Paris, onde assumira em 1963 o posto diplomático de delegado do Brasil junto à UNESCO, e os planos para sua chegada ao Brasil, Vinicius de Moraes escreve a Tom Jobim sobre o estado de espírito que o deixa inquieto.

Porto do Havre [França], 7 de setembro de 1964

Tomzinho querido,

Estou aqui num quarto de hotel que dá para uma praça que dá para toda a solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv’alma. Meu navio só sai amanhã à tarde e é impossível alguém estar mais tris­te do que eu. E, como sempre nestas horas, escrevo para […]

Amigo do português João de Barros, com quem criou a revista Atlântida a fim de aproximar o Brasil de Portugal, João do Rio (Paulo Barreto) não deixava de contar ao sócio as notícias mundanas do Rio de Janeiro, como nesta carta tão divertida quanto informativa.

[Rio de Janeiro], fevereiro [de 1912]

Meu caro João,

Chegou a Ema.[1] Criaturinha insignificante. O José Moraes (o empresário) literalmente sem dinheiro, porque ela em dois anos comeu-lhe duzentos contos e estragou-lhe vários negócios, não quer ser amante e ama-a. A Ema dá ataques e fornica com toda a gente […]

Os frequentadores ou visitantes do Sambódromo, no Rio de Janeiro, certamente desconhecem as ideias originais de Oscar Niemeyer, o arquiteto que o concebeu. Lendo esta carta ao engenheiro calculista da obra, fica-se sabendo a distância que há entre o que foi pensado e o que seria realizado em tão curto tempo.

S.l., 14 de outubro de 2001

Sussekind,

Aconteceu tanta coisa que a nossa correspondência deixou de nos entreter há quase um mês, e, pensando retomá-la, fico sem saber como começar.

Gostei do entusiasmo com que você fala do Sambódromo, e nele o acompanho, como colaborador que fui de vocês naquela obra. Infelizmente, meu amigo, dela, como arquiteto, guardo uma mágoa difícil […]

Quem vê a euforia e o colorido no Sambódromo, no Rio de Janeiro, nas noites de desfile das escolas de samba, talvez não imagine as tensões inerentes à sua concepção, como conta, nesta carta, José Carlos Sussekind, engenheiro calculista da obra, a seu amigo e arquiteto Oscar Niemeyer.

Petrópolis, 25 de março de 2001

Oscar,

Estava eu relembrando um almoço agradável desta semana com Brizola e outros amigos e eis que, pouco depois, entra no meu fax sua nova carta, a ele se referindo como exemplo de coragem e reserva de resistência nacional.

Parece que foi ontem – e, na verdade, quase vinte anos já se passaram – quando, […]

Um dos maiores interlocutores de Augusto Boal quando o criador do Teatro do Oprimido esteve exilado, em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), Chico Buarque certa vez lhe mandou notícias por meio da canção Meu caro amigo, gravada em fita K7 e enviada além-mar. Esta versão, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta,[1] contém trechos excluídos na versão final. O fato só seria revelado publicamente em 2016, quando a equipe do IMS entrevistou o compositor, que se surpreendeu, ele mesmo, com os versos.

Rio [de Janeiro], 20 de julho [de 1975]

Caro Boal,

Você é um sacana. Peguei o seu Milagre no Brasil[2] no fim da tarde e é evidente que não consegui dormir. Terminei a leitura de manhã e perdi o dia. Mas ganhei muito mais. Que porrada. Não sei se este é o famigerado que eu trouxe para o Ênio [Silveira], e […]