Amigos, Mário de Andrade e Moacir Werneck de Castro conviveram intensamente entre julho de 1938 e fins de fevereiro de 1941, período em que o primeiro morou no Rio de Janeiro, sofrendo de inadaptação e solidão. De volta a São Paulo, cartas, como esta, de certa maneira substituíam as longas conversas na Taberna da Glória, quase em frente ao apartamento que Mário alugava na rua Santo Amaro, 5, no mesmo bairro da Glória.

São Paulo, Reis [6 de janeiro] de 1942

Moacir,

Deixei de responder mais cedo à sua última carta, muito delibe­radamente. Desta vez o “missivista exemplar” estava carecendo de não escrever a certos amigos mais certos. Se escrevesse, mentia. Vo­cês já estão arquissabidos de que eu estava no fim de um período de desequilíbrio, e eu com vergonha de feitas as promessas e as […]

Tradutor sensível do sentimento de perda que desfalcou o quarteto dos mineiros quando morreu Hélio Pellegrino, Antonio Candido expressa a tristeza e solidariedade indissociáveis em momentos assim. Estava com 70 anos quando escreveu esta carta, e já apreendia saudades da vida. Ironicamente, neste 12 de maio, dia de sua morte, muitos brasileiros encontram nas palavras dele, aqui transcritas, uma  expressão em comum.

Poços de Caldas, 2 de abril de 1988

Caros Fernando, Otto e Paulo:

Como só tenho certeza quanto ao endereço atual do Otto, mando para lá esta carta que aliás é mesmo indivisa, porque numa hora dessas não consigo pensar em cada um, mas em vocês três, mutilados do quarto amigo, cuja falta vão com certeza sentir em conjunto, como um corpo que […]

É compreensível que os brasileiros associem a arquitetura de Oscar Niemeyer essencialmente a Brasília. Entre as questões mais importantes de seus projetos está a do espaço, tema desta carta ao engenheiro calculista José Carlos Sussekind.

S.l., 13 de julho de 2001

Sussekind,

Há muitos anos, creio eu, não ficava cinco dias sem trabalhar. Desta vez resolvi atender meu médico e manter o braço na tipoia, como ele pediu.

Foi uma boa experiência. Continuei a frequentar o escritório das nove da manhã às nove da noite. Mas sem desenhar, sozinho, na sala dos fundos, que é meu […]

Diplomata e morador de Belgrado, capital da atual Sérvia e Montenegro, Ribeiro Couto, o romancista de Cabocla, passava férias na França quando escreveu esta carta bem-humorada a respeito do tratamento a que se submetia na estação de cura francesa. O destinatário é o amigo e escritor Afonso Arinos de Melo Franco, então deputado federal por Minas Gerais.

Vittel [França], 29 de junho de 1956

Afonsoca,

Estou tendo a surpresa de receber de Belgrado esta carta que te enviei para Roma e tem o carimbo de 23 de fevereiro. A Embaixada em Roma, ao invés de procurar recambiá-la para o endereço que porventura hajas ali deixado (se o deixaste), acabou, quatro meses depois, por devolvê-la…

Não sei de que carta […]

No aforismo que intitulou “Causa mortis”, Millôr já advertia: “Cinquenta por cento dos doentes morrem de médico”. É esse o teor do cartão-postal que envia ao dramaturgo e amigo Augusto Boal, exilado na França.

Rio [de Janeiro], 9 de dezembro de 1982

Meu caro Boal,

Recebi tua carta. Fica tranquilo – foi a primeira. Você não escreveu outra. Gostei de receber esta. Estimo que você melhore logo. Para isso é fundamental […]