O cotidiano de Luiz Carlos Prestes na prisão pode ser conhecido nesta e em outras cartas graças à campanha para libertação dos presos políticos, liderada por sua mãe, Leocadia Prestes, que teve ganhos importantes como a permissão para se corresponder com o filho. Lendo esta carta, é possível, hoje, saber das aflições e saudades do líder comunista, que seria solto apenas em 1945 com a anistia.

Rio [de Janeiro], 28 de dezembro de 1937

dias. Asseguro-te, querida mãe, que continuo bem de saúde e que a minha situação, em geral, em nada se modificou nestes últimos tempos. Continuo fazendo uso do chimarrão e tenho…

Aproveitando a melodia de um choro de autoria de Francis Hime, Chico Buarque escreveu a letra desta canção/carta dando notícias do Brasil ao amigo Augusto Boal, que estava no exílio, em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985). Enviou-a em fita K7 e a gravaria no elepê Meus caros amigos, de 1976, com a participação da flauta de Altamiro Carrilho, do clarinete de Abel Ferreira, do bandolim de Joel Nascimento e, mais uma vez, com Francis Hime ao piano.

Rio de Janeiro, 1976

…Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll Uns dias chove, noutros dias bate sol Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta Muita mutreta…

Capitão da artilharia francesa, Alfred Dreyfus foi réu no caso hoje considerado um dos maiores erros judiciários da História. Acusado de ser o autor de uma carta, remetida ao adido militar alemão em Paris, contendo informações sobre recursos e planos de defesa do exército francês, Dreyfus foi submetido a uma cerimônia de degradação no pátio da Escola Militar, no dia 5 de janeiro de 1895, em Paris, ocasião em que lhe quebraram a espada e lhe arrancaram as insígnias da honra militar. Dois dias depois, Rui Barbosa, que estava em Londres, protegendo-se das arbitrariedades do marechal Floriano, e era colaborador no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, escreveu esta carta, publicada nesse jornal em 3 de fevereiro, tornando-se assim o primeiro defensor do capitão Dreyfus. Em 1898, Émile Zola, convencido da inocência do réu, publicaria no jornal L’Aurore uma carta aberta que ficaria conhecida pelo título de “J’accuse” e em que considera o caso “o monumento mais execrável da infâmia humana”. Depois de batalha judiciária que durou doze anos, e de uma deportação cruel à ilha do Diabo, na Guiana Francesa, Dreyfus teve sua inocência provada e a honra reabilitada.

Londres, 7 de janeiro de 1895

…inerradicável desta necessidade. Essa unanimidade, perpetuada através de todas as situações, nos dias prósperos e nos dias calamitosos, infundiu ao indivíduo uma confiança absoluta na ordem social, e apoiou solidamente…

Amigo do português João de Barros, com quem criou a revista Atlântida a fim de aproximar o Brasil de Portugal, João do Rio (Paulo Barreto) não deixava de contar ao sócio as notícias mundanas do Rio de Janeiro, como nesta carta tão divertida quanto informativa.

[Rio de Janeiro], fevereiro [de 1912]

…apesar de ser divorcée do Porto Carrero e de sociedade, deu de fazer o Carnaval em pijama, comigo e com a Ema. Passamos quatro dias nessa orgia de que se…

Joaquim Nabuco e Eufrásia Leite protagonizaram um dos mais célebres romances do Brasil no século XIX. O relacionamento durou quatorze anos, até 1887, período em que se corresponderam, apesar dos incontáveis rompimentos a que se seguiam doces reconciliações. Poucas são as cartas que restaram desse período. Dois anos depois da separação, Nabuco se casou com Evelina Ribeiro. Eufrásia jamais se casaria.

Dakar [Senegal], bordo do Congo, 31 de dezembro de 1885

…arrumar a cesta de flores e por isso não brigamos. No dia seguinte começamos bem, do meio-dia às duas estivemos mal, depois fizemos as pazes. Aos dias mais felizes não…