Gonçalves Dias conheceu Ana Amélia em 1846, no Maranhão, e, fascinado por sua beleza, por ela se apaixonou quando a reencontrou cinco anos depois. Por meio desta carta, fez o pedido de casamento à mãe da moça, Lourença Ferreira do Vale, que o recusaria por causa da origem bastarda e mestiça do pretendente à sua filha. Ao receber a negativa, breve e dura, em quatro linhas, o poeta escreveu o antológico poema Se se morre de amor”. Gonçalves Dias sofreria dessa desilusão até o fim da vida.

[São Luís, 1851]

A dona Lourença Ferreira do Vale,

Estou por momentos à espera do vapor, em que hei de partir para o Ceará: por este motivo, e porque a minha demora já tem sido bastante longa, não posso ir a Alcântara pedir-lhe as suas ordens nem para falar-lhe de um negócio que me interessa, e sobre o […]

Gonçalves Dias conheceu Ana Amélia Ferreira do Vale em 1846, no Maranhão, e, fascinado por sua beleza, por ela se apaixonou quando a reencontrou cinco anos depois. Sabendo-se correspondido, venceu a timidez e pediu-a em casamento à mãe da moça, Lourença Ferreira do Vale. Apreendendo a recusa, nesta carta mostra sua insegurança a José Joaquim Ferreira do Vale, seu amigo e irmão de Ana Amélia.

São Luís, [1851]

Pedi dona Ana Amélia à tua mãe; mas antes de tudo convém dar-te uma explicação. Não te quero envolver neste negócio, porque sei que é de si melindroso: não te queria falar dele senão quando estivesse feito ou desfeito. Então era um dever, um dever de amizade para contigo, um dever de cortesia para com […]

No dia 13 de maio de 1828, dom Pedro I enviou uma carta à marquesa de Santos proibindo-a de permanecer na corte por exigência do contrato de seu casamento com Amélia de Leuchtenberg, princesa bávara nascida na Itália, com quem se casaria no ano seguinte. Esta é a resposta da marquesa.

[Rio de Janeiro, 13 de maio de 1828]

Senhor,

Recebi ao meio-dia a carta de vossa majestade e não respondi logo, como devia, por causa de uma grande dor de cabeça que me acompanhava. Agora que me acho melhor, agradeço a vossa majestade a honra que me fez, pois se vossa majestade tivesse feito isto há mais dias, já estava tudo decidido. Eu, […]

Em maio de 1828, dom Pedro I, viúvo da imperatriz Leopoldina, recebeu a notícia de que a princesa bávara nascida na Itália dona Amélia de Leuchtenberg aceitara seu pedido de casamento. O contrato nupcial exigia o afastamento da amante do imperador, a marquesa de Santos, da corte, no Rio de Janeiro. Para cumprir a exigência do contrato, o imperador lhe escreve esta carta.

Rio de Janeiro, 13 de maio de 1828

Marquesa,

Não foram faltos de fundamentos os conselhos que lhe mandei em mi­nhas anteriores cartas para que me pedisse licença de­baixo de pretexto de saúde para ir estar em outra província do Império, a fim de eu poder completar meu casamento, no qual de frente se opõe a sua re­sidência nesta corte.

O marquês de […]

Em agosto de 1822, na cidade de São Paulo, dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, iniciara relacionamento extraconjugal que duraria sete anos com Domitila de Castro, futura marquesa de Santos. No começo de 1823, Domitila mudara-se de São Paulo para a corte, no Rio de Janeiro, onde vivia sob a proteção do imperador, que, nesta carta, mostra a intensidade de sua paixão.

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1827

Filha,

Muitas cartas tenho eu rece­bido tuas que me têm escandalizado pela tua pouca reflexão a escrevê-las, mas nenhuma tanto como a de hoje, em que me dizes que nossos amores são reputados por ti como “amores passageiros”. Se teus amores para comigo são assim, é porque tua amizade para comigo te não borbulha no […]