Em missão oficial de estudos e pesquisa para a qual foi comissionado pela Secretaria do Império, Gonçalves Dias permaneceu na Europa de julho de 1854 a 1858. Sua única filha, Joanna, nasceu em Paris, em 20 de novembro de 1854, e morreu, de pneumonia, em 24 de agosto de 1856, no Rio, para onde voltara com a mãe em busca de melhor clima para sua saúde. Da Europa, quando soube da morte da filha, o poeta escreve à mulher.

Paris, 15 de outubro de 1856

Olímpia,

Muito tenho para lhe escrever, minha Olímpia, e mais depois da perda que ambos acabamos de sofrer; nisso acharia eu uma triste consolação, que debalde se procura entre pessoas indiferentes.

Depois de tantos cuidados, quando tinha todas as esperanças de que a nossa pobre filha vingaria, quando todas as cartas que recebia mais me […]

Recusado pela família de Ana Amélia, por quem se apaixonara no Maranhão, Gonçalves Dias sofreria dessa recusa até morrer. De volta ao Rio de Janeiro, casa-se com Olímpia Coriolano da Costa, em setembro de 1852. Infeliz com o casamento e sempre doente, apreendendo a morte, faz este desabafo ao seu amigo mais próximo, Teófilo. Gonçalves Dias viveria ainda onze anos depois que escreveu esta carta.

Rio [de Janeiro], 10 de julho de 1853

Mano e amigo do coração,

Há muito tempo que não tenho recebido cartas tuas, sei por que desgostos tens passado e te desculpo, no entanto torna-se menor a dor que se comunica, e, ao menos de mim o digo que nas minhas horas de tristeza e de pesar, que as tenho e muitas, sinto de […]

Gonçalves Dias conheceu Ana Amélia em 1846, no Maranhão, e, fascinado por sua beleza, por ela se apaixonou quando a reencontrou cinco anos depois. Por meio desta carta, fez o pedido de casamento à mãe da moça, Lourença Ferreira do Vale, que o recusaria por causa da origem bastarda e mestiça do pretendente à sua filha. Ao receber a negativa, breve e dura, em quatro linhas, o poeta escreveu o antológico poema Se se morre de amor”. Gonçalves Dias sofreria dessa desilusão até o fim da vida.

[São Luís, 1851]

A dona Lourença Ferreira do Vale,

Estou por momentos à espera do vapor, em que hei de partir para o Ceará: por este motivo, e porque a minha demora já tem sido bastante longa, não posso ir a Alcântara pedir-lhe as suas ordens nem para falar-lhe de um negócio que me interessa, e sobre o […]

Gonçalves Dias conheceu Ana Amélia Ferreira do Vale em 1846, no Maranhão, e, fascinado por sua beleza, por ela se apaixonou quando a reencontrou cinco anos depois. Sabendo-se correspondido, venceu a timidez e pediu-a em casamento à mãe da moça, Lourença Ferreira do Vale. Apreendendo a recusa, nesta carta mostra sua insegurança a José Joaquim Ferreira do Vale, seu amigo e irmão de Ana Amélia.

São Luís, [1851]

Pedi dona Ana Amélia à tua mãe; mas antes de tudo convém dar-te uma explicação. Não te quero envolver neste negócio, porque sei que é de si melindroso: não te queria falar dele senão quando estivesse feito ou desfeito. Então era um dever, um dever de amizade para contigo, um dever de cortesia para com […]

No dia 13 de maio de 1828, dom Pedro I enviou uma carta à marquesa de Santos proibindo-a de permanecer na corte por exigência do contrato de seu casamento com Amélia de Leuchtenberg, princesa bávara nascida na Itália, com quem se casaria no ano seguinte. Esta é a resposta da marquesa.

[Rio de Janeiro, 13 de maio de 1828]

Senhor,

Recebi ao meio-dia a carta de vossa majestade e não respondi logo, como devia, por causa de uma grande dor de cabeça que me acompanhava. Agora que me acho melhor, agradeço a vossa majestade a honra que me fez, pois se vossa majestade tivesse feito isto há mais dias, já estava tudo decidido. Eu, […]