Cruz e Sousa fixou-se no Rio de Janeiro, onde as privações financeiras, as perdas familiares e as frustrações no meio editorial o enfraqueceram e o levaram à tuberculose e, anos depois, à morte. Sobre todas essas dificuldades ele escreve ao amigo Virgílio Várzea, com quem publicou, em parceria, seu livro de estreia, Tropos e fantasias, de 1885.

Corte [Rio de Janeiro], 8 de janeiro de 1889

Adorado Virgílio,

Estou em maré de enjoo físico e mentalmente fatigado. Fatigado de tudo: de ver e ouvir tanto burro, de escutar tanta sandice e bestialidade e de esperar sem fim por acessos na vida, que nunca chegam. Estou fatalmente condenado à vida de mi­séria e sordidez, passando-a numa indolência persa, bastante prejudicial à atividade […]

Depois de trabalhar como educadora numa fazenda no Rio de Janeiro, Ina von Binzer assumiu a educação dos filhos do doutor Martinico Prado, em São Paulo. As crianças tinham nomes romanos: Caio, Plínio, Lavínia, Cordélia e Clélia, inspiradores de Os meus romanos, livro que reúne as cartas escritas por Ina a uma amiga, na Alemanha.

São Paulo, 25 de junho de 1882

Minha Gretele do coração,

Escrevo-lhe dentro de uma densa atmosfera de fumaça de pól­vora. Relanceie um olhar à data acima e compreenderá por quê.

Ontem, foi novamente o dia do Batista (já faz um ano que lhe escrevi de São Francisco!), e aqui na cidade nota-se ainda melhor o que isso representa no Brasil.

O […]

Em 1881, a educadora alemã Ina von Binzer veio para o Brasil contratada por uma família de fazendeiro e senhor de escravos do Estado do Rio de Janeiro. Depois, ela assumiu a educação dos filhos do doutor Martinico Prado, em São Paulo. As crianças tinham nomes romanos: Caio, Plínio, Lavínia, Cordélia e Clélia, inspiradores de Os meus romanos, romance epistolar que reúne as cartas escritas por Ina a uma amiga, na Alemanha.

São Francisco [Rio de Janeiro], 14 de agosto de 1881

Minha Grete do coração,

Neste país, os pretos representam o papel principal; acho que no fundo são mais senhores do que escravos dos brasileiros.

Todo trabalho é realizado pelos pretos, toda a riqueza é ad­quirida por mãos negras, porque o brasileiro não trabalha, e quando é pobre prefere viver como parasita em casa dos parentes […]

Em 1876, dom Pedro II, aos 51 anos de idade, fez sua segunda viagem à Europa. Partiu do Brasil em março e, cumprindo o roteiro, fazia escala nos Estados Unidos, de onde escreveu à condessa de Barral, antes de encontrá-la em Paris. 

Boston, 12 de junho de 1876

Condessa,

Não imagina o prazer que suas cartas me causam. Não pensei que as sauda­des chegassem a tanto; também considero a você como uma de minhas melhores afeições. Você também se lembra todos os dias do viajante? Queria enviar-lhe meu diário; mas o tempo é muito escasso, e disse à Isabel que podia comunicá-lo a […]

No dia em que a igreja católica festeja Nossa Senhora da Glória, Rui Barbosa, de volta da Europa, escreve à noiva, que deixara na Bahia.

Corte [Rio de Janeiro], 15 de agosto de 1876

Maria Augusta, minha sempre adorada noiva,

É hoje dia santo, o maior e o mais popular aqui, na corte. A população inteira, por assim dizer, aflui para a Glória, em cuja festa pobres e ricos apuram, ostentam, exageram todos os requintes do luxo numa capital como esta. Tudo é multidão e bulício, bailes e fogos, […]