De volta ao Rio de Janeiro, depois de uma viagem à Europa, Rui Barbosa escreve à noiva sobre as saudades e a expectativa do casamento, que se realizaria no dia 23 desse mesmo mês de novembro.

Corte [Rio de Janeiro], 3 de novembro de 1876

Minha adorada noiva do coração,

Recebi as tuas duas últimas cartinhas, cuja data não menciono, porque escrevo-te do escritório, onde não as tenho presente.

Ambas me encantaram, mas especialmente a segunda, em que respondes às minhas cartas relativas ao nosso próximo casamento. As duas linhas que a propósito disso me diriges encerram em si tal […]

Incentivado pela noiva, a baiana Maria Augusta, Rui Barbosa deixa a Bahia, seu Estado natal, e embarca para o Rio de Janeiro em busca de desenvolvimento de sua carreira profissional. Luta para vencer as saudades, que descreve nesta carta, mas está certo de ser esse seu caminho na vida.

Bordo do Habsburg, 25 de maio [de 1876], às sete e meia da manhã

Maria Augusta, minha muito querida noiva,

Passou a primeira noite desta amarga ausência; e o primeiro pensamento meu, ao amanhecer, não pode ser outro senão buscar, conversando contigo daqui, uma consolação a tão dolorosas sau­dades. Há pouco perdi a terra de vista; mas minha alma não perdeu a vista de ti. Tua imagem, tua alma […]

Carta aos amigos de São Paulo

De: Castro Alves Para: Amigos de São Paulo

Apesar dos cuidados que lhe dispensaram os amigos paulistas, Castro Alves precisou viajar ao Rio de Janeiro para se tratar de uma ferida no pé causada por um tiro de espingarda durante uma caçada nos campos do bairro do Brás, em São Paulo. Na capital carioca, foi hóspede do amigo Luiz Cornélio dos Santos, mas, sem sucesso no tratamento, teria o pé amputado em junho de 1869.

Rio de Janeiro, 25 de maio de 1869

Eis-me na corte há quatro dias, eu, pobre in­válido, que não podia chegar até a sala!… Que força, que mola estranha deu vida ao cadáver? Foi Deus. O Deus de Lázaro sustentou-me nesse instante em que a amizade acompanhou-me.

[…][1]

E custou-me bem aquele último abraço a bordo, à tarde, quando o vento […]

Em 11 de novembro de 1868, a espingarda que Castro Alves usava durante uma caçada nos campos do bairro do Brás, em São Paulo, disparou, atingindo-lhe o calcanhar direito. O poeta viajaria ao Rio de Janeiro para se tratar, acolhido pelo amigo Luiz Cornélio dos Santos, a quem pede socorro nesta carta.

[São Paulo, 1º de dezembro de 1868]

Meu caro Luiz,[1]

Estou, há vinte dias, de cama, de um tiro que dei em mim, por acaso. Este desastre caiu-me na pior ocasião. Bem vês que eu não podia escrever, e nem mandar por outro es­crever para minha família isto, e só alguns dias depois é que tive portador seguro que foi […]

Em 22 de fevereiro de 1868, o Correio Mercantil publicara uma carta de José Alencar a Machado de Assis, escrita no dia 18 do mesmo mês, apresentando-lhe Castro Alves, que, então com 21 anos de idade, visitava o Rio de Janeiro. Esta carta que se reproduz aqui e que seria publicada no Correio Mercantil em 1º de março do mesmo ano contém a consagradora resposta do romancista de Dom Casmurro.

Rio de Janeiro, 29 de fevereiro de 1868

Excelentíssimo senhor,

É boa e grande fortuna conhecer um poeta; melhor e maior fortuna é recebê-lo das mãos de vossa excelência, com uma carta que vale um diploma, com uma recomendação que é uma sagra­ção. A musa do senhor Castro Alves não podia ter mais feliz introito na vida literária. Abre os olhos em pleno […]