Em 1868, Castro Alves viajou para o Rio de Janeiro com a atriz Eugênia Câmara, por quem se apaixonara no Recife. Fora recomendado a José de Alencar, que, nesta carta, publicada no Correio Mercantil em 22 de fevereiro, apresenta o poeta de “O navio negreiro” a Machado de Assis.

Tijuca [Rio de Janeiro], 18 de fevereiro de 1868

Ilustríssimo senhor Machado de Assis,

Recebi ontem a visita de um poeta. O Rio de Janeiro não o conhece ainda; muito breve o há de conhecer o Brasil. Bem entendido, falo do Brasil que sente; do coração e não do resto. O senhor Castro Alves é hóspede desta grande cidade, alguns dias apenas. Vai a […]

Joaquim Nabuco era aluno do Colégio Pedro II e tinha apenas 15 anos quando escreveu esta carta a Machado de Assis em resposta à saudação que o autor de Dom Casmurro lhe fizera no folhetim “Ao Acaso”, do Diário do Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1865.

Rio de Janeiro, 1º de fevereiro de 1865

Meu caro senhor,

Tenho em vista o Diário de ontem, na crônica “Ao acaso” deparo com algumas linhas ao meu respeito, caídas de sua pena; li e reli o que sobre mim escreveu, e depois de meditar sobre estas linhas decidi-me a aventar sobre elas as duas considerações que se seguem:

Não sou poeta; as […]

Reprovado em geometria ao final do ano de 1862 na Faculdade de Direito do Recife, Castro Alves escreve sobre seu desânimo ao amigo Marcolino. Depois, mergulharia na vida cultural da cidade, destacando-se nas atividades estudantis, literárias e, sobretudo, nas manifestações abolicionistas. Tentaria o curso jurídico novamente em 1868, em São Paulo, sem sucesso.

Recife, 16 de janeiro de 1863

Meu Marcolino,

Desejo que tenhas passado bem com tua excelentíssima família.

Depois de um mês e tanto de demora (no que devias estranhar-me) vou escrever-te. Mas não po­des imaginar a razão. É que eu havia perdido a tua carta e não sabia a quem fazer a adresse, de sorte que contra a minha vontade era […]

No dia 24 de julho de 1859, um barco francês que vinha de Argel desembarcou em Fortaleza, no Ceará, trazendo catorze camelos. A ideia do barão de Capanema e do poeta Gonçalves Dias, integrantes da Comissão Científica de Exploração, patrocinada por dom Pedro II, era substituir os bois por esses resistentes animais. A substituição, malograda, por ter provocado a morte de um dos camelos, gerou polêmica, como mostra esta carta de Gonçalves Dias ao sogro, Cláudio Luís da Costa, a quem trata por pai. O poeta integrou a comitiva na condição de etnógrafo, com a tarefa de estudar os indígenas do Brasil em seus aspectos físico, moral e social.

Ceará, 20 de abril de 1859

Meu bom pai e amigo,

Escrevi-lhe por este paquete, mas com data bem atrasada porque as mandei lançar no correio na véspera da minha partida para Aratanha, onde fui agradecer à família Costa o obséquio que por nossa conta prestou ao pobre Assis. Agora, isto é, neste mesmo momento, recebo a sua de 6 de […]

Gonçalves Dias permaneceu na Europa, em missão oficial do governo brasileiro para estudos e pesquisa, de 1854 a 1858. Era dom Pedro II quem patrocinava os projetos, especialmente aqueles de documentos relativos à história do Brasil, no país e no estrangeiro, além de reunir, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) um grupo de intelectuais dinâmicos. Em 1856, o poeta viajou para a Alemanha e, indo a Leipzig, em 1857, entra em contato com o livreiro-editor Brockhaus, que editará, no mesmo ano, três livros do poeta: Cantos, Os Timbiras e o Dicionário da língua tupi, idioma que o imperador chegou a estudar.

Dresden, 4 de março de 1857

Meu senhor,

A bondade suma de vossa majestade, dignando-se permitir-me que alguma vez ouse dirigir minhas cartas a vossa majestade, faz com que eu abuse dessa tão honrosa, quanto, na minha humildade o confesso, pouco merecida dis­tinção.

Demorei-me em Dresden estes dois meses para me familiarizar com a língua alemã, e também porque na proximidade […]