A convicção de Lotta de Macedo Soares a respeito de um parque público que possibilitasse lazer ao povo levou-a a idealizar o Parque do Flamengo, cujo projeto arquitetônico e urbanístico é de autoria de Affonso Eduardo Reidy. Tomada de entusiasmo especialíssimo, e não satisfeita com a simples conclusão da obra, queria garantir-lhe futuro: passou a lutar por uma Fundação capaz de manter o Parque. Esta carta deixa claro o empenho com que Lotta batalhava pela preservação, além de mostrar sua visão de futuro. Escreveu na véspera do dia que ficou estabelecido como a data oficial de inauguração.

Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, 16 de outubro de 1965

Rachel muito querida,

Os argumentos para a “Fundação do Parque do Flamengo” são poucos, mas creio que decisivos e imprescindíveis.

A minha intenção quando comecei a obra era de obter do Rodrigo M. Franco[1] o tombamento, o que já foi feito por unanimidade apesar do Conselho ter vários inimigos do Carlos,[2] […]

Grande foi a tarefa de Jacob do Bandolim ao gravar a histórica suíte Retratos, com regência de Radamés Gnattali, autor da composição a ele, Jacob, dedicada e comentada por Bia Paes Leme na Rádio Batuta, do IMS. Toda a gratidão e devoção do bandolinista homenageado ressaltam nesta carta ao maestro.

S.l., 23 de outubro de 1964

Meu caro Radamés,

Antes de Retratos,[1] eu vivia reclamando: “É pre­ciso ensaiar…”. E a coisa ficava por aí: ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: “Mais do que ensaiar, é necessário estudar!”. E estou estudando. Meus rapazes também (o pandeirista já não fala em paradas: “Seu Jacob! O senhor aí quer […]

O carnaval baiano é precedido do Festival de Verão de Salvador, que junta os ritmos mais diversos com a presença de artistas das mais variadas origens. Gabriel, o Pensador, que se apresentou naquele ano de 2002, saiu tão impressionado com a atmosfera do encontro que precisou escrever esta carta a Gilberto Gil.

[Salvador], 11 de fevereiro de 2002

Gil querido!

Eu tô no avião e já morrendo de saudades! De você, do trio, de Salvador… de milhares e milhares de pessoas que fizeram amor comigo e com a gente ontem de uma maneira tão apaixonada e apaixonante! Dali nenhuma alma consegue sair de biscoito seco. Foi um orgasmo físico, mental e espiritual maravilhoso, […]

Todo o estado de encantamento e emoção trazido pela paixão é plenamente interpretado por Rubem Braga nesta carta/ crônica em que o autor mescla fantasia e realidade em atmosfera onírica. 

[Rio de Janeiro], 5 de abril de 1956[1]

Minha querida,

Recebi sua carta à hora em que ia saindo de casa. Li-a de um só trago, voltei ao quarto para guardá-la e desci – um amigo me esperava lá embaixo. Fomos conversando até a cidade, e gostei quando me despedi dele, porque o […]

As dores do exílio são comentadas nesta carta de Augusto Boal ao também ator e diretor de teatro Gianfrancesco Guarnieri, que ficara no Brasil enfrentando, do lado de dentro, a ditadura militar que se instalou no país de 1964 a 1985.

Paris, 14 [de] fevereiro [de] 1979

Foi no meio da noite um telefonema que devia ter sido ao meio-dia, com o sol a pino; foi no meio do sono um telefonema, que devia ter sido em horas de lucidez; foi com os olhos meio fechados, quando deviam estar arregalados; foi com os ouvidos meio surdos do barulho dos loubards em motocicletas no Boulevard Beaumarchais, aqui perto, lá embaixo, que eu ouvi a tua voz lá de longe, inesperada, bem-vinda.