Incentivado pela noiva, a baiana Maria Augusta, Rui Barbosa deixa a Bahia, seu Estado natal, e embarca para o Rio de Janeiro em busca de desenvolvimento de sua carreira profissional. Luta para vencer as saudades, que descreve nesta carta, mas está certo de ser esse seu caminho na vida.

Bordo do Habsburg, 25 de maio [de 1876], às sete e meia da manhã

Maria Augusta, minha muito querida noiva,

Passou a primeira noite desta amarga ausência; e o primeiro pensamento meu, ao amanhecer, não pode ser outro senão buscar, conversando contigo daqui, uma consolação a tão dolorosas sau­dades. Há pouco perdi a terra de vista; mas minha alma não perdeu a vista de ti. Tua imagem, tua alma […]

Perseguido pelo então presidente marechal Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada, movimento de oposição ao governo desencadeado no Rio de Janeiro em setembro daquele ano, Rui Barbosa embarca clandestinamente no Madalena, navio que o levaria ao exílio em Buenos Aires. Com duas semanas de viagem, escreve esta carta à mulher, com quem estava casado havia sete anos.

Buenos Aires, bordo do Madalena, 19 de setembro [de 18]93

Minha adorada Maria Augusta,

Decididamente, minha Cota, não se morre de dor, desde que eu não morri ainda. Mas morrerei, ou enlouquecerei, se isto continua, e eu não posso ir reunir-me contigo, ou tu comigo. Não sei, não sei como ainda vivo! Mas esta vida que eu levo é atroz, é desesperadora: mata-me a fogo […]