Lygia Fagundes Telles estava com 18 anos e tinha publicado seu primeiro livro quando escreveu esta carta. Não lhe restava qualquer dúvida quanto à carreira de escritora que pretendia seguir, mas precisava da ajuda de Erico Verissimo, por quem nutria grande admiração.

São Paulo, 9 de setembro de 1941

Erico Verissimo, bons dias!

Recebi o seu bilhete anunciando-me a viagem. E então, divertiu-se muito? Que homem feliz! Juro que chego a invejá-lo até!

As minhas viagens – coitadinhas! – são todas feitas por aqui mesmo, em redor do Estado de São Paulo. Meu pai tinha me prometido uma viagem para o Norte, caso eu […]

Editado em livro em 1920, Vida ociosa, de Godofredo Rangel, teve uma versão anterior, ligeiramente diversa, publicada na Revista do Brasil entre maio de 1917 e janeiro de 1918. Esta carta, escrita depois da leitura do capítulo final, mostra o entusiasmo de Lobato pela obra.

Fazenda [São Paulo],[1] 6 de julho de 1917

Rangel,

Acabo de ler o último capítulo de Vida ociosa. Se algum tranca me disser que não és o sucessor de Machado de Assis, leva bofetada nas ventas. Ninguém é juiz em matéria própria. Teu juízo sobre a Vida é suspeito, não tem valor legal nenhum. Os outros é que têm de dizer, como eu, […]

Editado em livro em 1920, Vida ociosa, de Godofredo Rangel, teve uma versão anterior, ligeiramente diversa, publicada na Revista do Brasil, por sugestão de Monteiro Lobato que, nesta carta, revela total compreensão do estilo do amigo e do valor do livro.

Fazenda [São Paulo],[1] 6 de julho de 1917

Rangel,

Retiro tudo quanto disse a propósito do teu estilo, em tantas cartas anteriores. Em vez de mudar alguma coisa, podar, concentrar, fazer, em suma, o que sugeri, não deves fazer coisíssima nenhuma. Estás sedimentado definitivamente e lindo. Encantou-me tanto a Vida ociosa que me envergonhei de todas as minhas velhas sugestões. Compreendi agora. Você […]

Depois de trabalhar como educadora numa fazenda no Rio de Janeiro, Ina von Binzer assumiu a educação dos filhos do doutor Martinico Prado, em São Paulo. As crianças tinham nomes romanos: Caio, Plínio, Lavínia, Cordélia e Clélia, inspiradores de Os meus romanos, livro que reúne as cartas escritas por Ina a uma amiga, na Alemanha.

São Paulo, 25 de junho de 1882

Minha Gretele do coração,

Escrevo-lhe dentro de uma densa atmosfera de fumaça de pól­vora. Relanceie um olhar à data acima e compreenderá por quê.

Ontem, foi novamente o dia do Batista (já faz um ano que lhe escrevi de São Francisco!), e aqui na cidade nota-se ainda melhor o que isso representa no Brasil.

O […]

Em 11 de novembro de 1868, a espingarda que Castro Alves usava durante uma caçada nos campos do bairro do Brás, em São Paulo, disparou, atingindo-lhe o calcanhar direito. O poeta viajaria ao Rio de Janeiro para se tratar, acolhido pelo amigo Luiz Cornélio dos Santos, a quem pede socorro nesta carta.

[São Paulo, 1º de dezembro de 1868]

Meu caro Luiz,[1]

Estou, há vinte dias, de cama, de um tiro que dei em mim, por acaso. Este desastre caiu-me na pior ocasião. Bem vês que eu não podia escrever, e nem mandar por outro es­crever para minha família isto, e só alguns dias depois é que tive portador seguro que foi […]