Depois de se formar bacharel no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, o poeta Álvares de Azevedo voltou para a cidade natal, São Paulo, a fim de estudar Direito. Nesta carta, escrita pouco depois de seu ingresso na faculdade, cria toda a atmosfera sombria que desenvolveria na peça Macário, de 1852. A descrição que faz aqui das ruínas vistas durante um passeio noturno em direção à cidade litorânea de Santos é muito semelhante à da peça.

São Paulo, 20 de julho de 1848

My dearest,

Nada por aqui tem ocorrido de novo, nada digno de ser-te contado. Quanto a mim, só tenho a dar-te uma notícia: estou fazendo uma imitação em verso do quinto ato do Otelo de Shakespeare.

Sou o homem das reações, como sabes: dei ago­ra em não mostrar versos a ninguém; e aqui em São […]

A atuação de Decio de Almeida Prado na coluna de crítica teatral em O Estado de S. Paulo mudou a feição do gênero, mostrou-se fundamental para a formação de um novo tipo de público, além de ter sido respeitada por toda uma geração de profissionais no país, entre os quais o ator Gianfrancesco Guarnieri e Cecília Thompson, jornalista e atriz com quem foi casado. Decio reuniu alguns de seus textos em Teatro em progresso, cujas críticas às peças de Guarnieri motivaram esta carta de Cecília em retrospectiva de um período importante para o teatro brasileiro.

São Paulo, 10 de dezembro de 1972

Prezado Decio,

Domingo à tarde. Reli, comovidamente, durante duas horas, todas as suas críticas, em Teatro em progresso, às peças de Guarnieri. E ficou forte a necessidade de lhe escrever: para dizer o quanto essas horas foram importantes, o quanto me devolveram um “tom”, uma convivência, um diálogo há muito perdidos. Também no plano pessoal: […]

Paulo Autran, cujos oito anos de morte se completam no dia 12 de outubro deste 2015, já havia atuado em quatro montagens diferentes da peça Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, quando a apresentou em São Paulo, em 1991, como ator e diretor. Na plateia estava a crítica teatral Maria Lúcia Pereira, que redigiu um texto desfavorável sobre a peça para O Estado de S. Paulo, periódico em que substituiria Decio de Almeida Prado a partir de 1992. A publicação da crítica estimulou Autran a escrever esta carta.

São Paulo, 22 de julho de 1991

Maria Lúcia,

Como nunca li outra crítica sua, acredito que você seja principiante nessa função. No sentido de ajudá-la envio-lhe estas dicas para trabalhos futuros:

1 – O crítico precisa gostar de teatro, é imprescindível, claro, mas deve também gostar de ir ao teatro e ver espetáculos de teatro, o que é muito raro.

2 […]

Esta carta do jornalista, jurista e poeta Luiz Gama é resposta ao pedido que lhe fizera o escritor Lúcio de Mendonça para que lhe enviasse informações sobre os fatos dramáticos de sua vida de filho de negra, africana livre, e pai de origem portuguesa. A experiência de vida aqui relatada transformou-o num dos maiores abolicionistas brasileiros: “exauria-se no próprio ardor”, como disse Raul Pompeia no seu enterro. 

São Paulo, 25 de julho de 1880

Meu caro Lúcio,

Recebi o teu cartão com a data de 28 do pretérito.

Não me posso negar ao teu pedido […],[1] aí tens os apontamentos que me pedes, e que sempre eu os trouxe de memória.

Nasci na cidade de São Salvador, capital da província da Bahia, em um sobrado da rua […]

Monteiro Lobato e Godofredo Rangel desenvolveram uma intimidade singular por meio da correspondência. Visceralmente literatos, cultivaram discussões epistolares em torno de obras, de tendências estéticas e da vida ao longo de quarenta anos. As cartas, que, como esta de Lobato, na maioria das vezes tratam de literatura, seriam publicadas em A barca de Gleyre (1944).

São Paulo, 15 de novembro de 1904

É cheio do passado que te escrevo. Imagina que fui ao Rink (coisa que não conheces: patinação) e lá encontrei numa roda de quatro a moça mais bela que a Natureza ainda produziu. Bela, fina, elegante… Estes adjetivos já não dizem nada por cau­sa dos abusos do Macuco. Sabe o que é o belo, Rangel? […]