Um ano antes de ter o carro onde estava alvejado por 13 tiros e ter sido morta junto com o motorista que a conduzia, a 5ª vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, Marielle Franco, escreveu esta carta ao coletivo Bastardos da PUC-Rio. O grupo existe há dois anos e é formado por bolsistas advindos de escolas públicas, negros e pobres, moradores de favela. Nesta carta, a vereadora, “cria da favela da Maré”, socióloga formada com bolsa integral na mesma universidade, relata sua experiência e encoraja os alunos a seguir seus estudos e a resistir às adversidades encontradas pelo caminho.

Chegar à PUC-Rio pode parecer algo um tanto tenso: a natural insegurança em ocupar um espaço novo; pessoas e normas ainda desconhecidas… É impossível não sentir aquele frio na barriga! Ainda mais quando ouvimos aquelas histórias de que há professores que dão textos e filmes em inglês sem tradução, de que não se veem alunos […]

A dramática retirada das tropas em que lutavam Giuseppe e Anita Garibaldi na Revolução Farroupilha (1835-1845) é, em parte, descrita pela heroína santa-catarinense nesta carta de 1841, no momento em que se abrigam na cidade gaúcha de São Gabriel. Ali Anita reconstitui, para um casal de amigos, as privações por que passaram antes de atingirem os 114 metros de altitude do povoado onde teriam alguma paz, antes de, dali a alguns anos, seguirem para o Uruguai.

São Gabriel, 10 de março de 1841

Ao casal Costa

Caros amigos,

Depois das penosas aventuras por que passamos, parece um sonho viver de novo numa casa confortável e poder escrever com calma esta carta que, graças à cortesia do nosso novo amigo Francesco Anzani,[1] espero que chegue até vocês em pouco tempo. Imaginem que Francesco ainda tem paciência para […]

Os bastidores da transferência de Cyro dos Anjos, que, por manobras bem-sucedias no Itamaraty, deixava de reger a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade do México para assumir a mesma função em Lisboa ocupam a primeira parte desta carta. Na segunda, o verso drummondiano “a ausência é um estar em mim” ganha força quando o poeta passa a escrever sobre suas saudades depois de assistir à exumação dos ossos da mãe.

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1954

Em primeiro lugar, venha de lá um abraço pelo súbito imprevisto e feliz resultado do affaire Lisboa, que assinala a primeira e modesta vitória de um mineiro sobre a grei nortista, nestes 450 anos de vida brasileira. Só não lhe telegrafei transmitindo a grata notícia porque soube que o Chermont[1] já o fizera. […]

Após a morte de Tomie Ohtake em fevereiro de 2015, o instituto que leva seu nome, em São Paulo, realizou a exposição “Tomie Ohtake 100-101”, em que foram expostas cerca de trinta telas, pintadas no centésimo primeiro e último ano de vida da artista. Após sua morte, o curador da exposição, Paulo Myiada, voltando no tempo, lhe escreve seis cartas, entre as quais esta, que trata da polêmica “Estrela do mar”, obra instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, onde ficou de 1985 a 1990.

Para São Paulo, 1985

Querida Tomie,

Não sei se você conhece a superstição, mas me diverte quando dizem que nossas orelhas ficam quentes quando falam da gente – a direita, se falam bem, a esquerda, se falam mal. Se for verdade, você provavelmente não está precisando cobrir a cabeça para dormir no frio! Em São Paulo, a exposição organizada […]

Em 2013, a exposição “Amilcar de Castro: repetição e síntese”, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte, apresentou um panorama da produção do artista mineiro, reunindo obras de várias áreas em que ele atuou. Na ocasião, Rodrigo Moura, então um dos curadores do Instituto Inhotim e ex-aluno de Amilcar na Escola Guignard, também em Belo Horizonte, escreveu esta carta ao escultor, que morreu em 2002.

Belo Horizonte, 14 de dezembro de 2013

Amilcar,

Finalmente fui ver tua exposição na Praça da Liberdade. Como deve ter lhe contado o Affonso Ávila, aquilo virou uma procissão de centros culturais, um corredor ou algo assim. Naquele de um banco, fizeram agora uma mostra com as tuas coisas. Eu confesso que custei para encontrar as salas todas, mas quando […]