“Não há carta de rompimento que não seja ridícula”, escreveu o escritor argentino Ricardo Piglia em seu Diários de Emílio Renzi, deixando sem saída os que acreditavam só se expor ao risível em situação inversa, para lembrar Fernando Pessoa no famosíssimo verso: “Todas as cartas de amor são ridículas”.

A afirmação de Piglia foi feita […]

Nos últimos anos, os estudos literários brasileiros têm deparado com um campo de pesquisa de grande abrangência – a epistolografia.  A bem da verdade, a crítica literária brasileira sempre teve dificuldades com a chamada “paraliteratura”, isto é, toda sorte de escritos não ficcionais,  de cunho autobiográfico tais como cartas, diários, memórias, agendas e outros textos […]

Kitagawa Utamaro (ca.1754-1806) foi um dos artistas mais importantes da popular escola artística japonesa chamada Ukiyo-e, nome que poderia ser traduzido como “imagens do mundo flutuante”. O termo, originário do período Edo (1605-1868), designava gravuras e pinturas que, na maioria das vezes, mostravam pessoas comuns em afazeres cotidianos. Utamaro tornou-se o principal artistas a retratar […]

Quando seu livro A vertigem das listas foi lançado (no Brasil, pela Record, em 2010), Umberto Eco declarou em entrevista à revista Der Spiegel: “Gostamos de listas porque não desejamos morrer”. A máxima é radical e, além disso, soa como um contrassenso: listar não seria a vontade de dar conta, isto é, o resultado de […]