Esta carta do jornalista, jurista e poeta Luiz Gama é resposta ao pedido que lhe fizera o escritor Lúcio de Mendonça para que lhe enviasse informações sobre os fatos dramáticos de sua vida de filho de negra, africana livre, e pai de origem portuguesa. A experiência de vida aqui relatada transformou-o num dos maiores abolicionistas brasileiros: “exauria-se no próprio ardor”, como disse Raul Pompeia no seu enterro. 

São Paulo, 25 de julho de 1880

depois, na igreja matriz do Sacramento, da cidade de Itaparica. Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Mina (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin, pagã, que…