Os bastidores da transferência de Cyro dos Anjos, que, por manobras bem-sucedias no Itamaraty, deixava de reger a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade do México para assumir a mesma função em Lisboa ocupam a primeira parte desta carta. Na segunda, o verso drummondiano “a ausência é um estar em mim” ganha força quando o poeta passa a escrever sobre suas saudades depois de assistir à exumação dos ossos da mãe.

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1954

Em primeiro lugar, venha de lá um abraço pelo súbito imprevisto e feliz resultado do affaire Lisboa, que assinala a primeira e modesta vitória de um mineiro sobre a grei nortista, nestes 450 anos de vida brasileira. Só não lhe telegrafei transmitindo a grata notícia porque soube que o Chermont[1] já o fizera. […]

Em visita à filha Clarissa, no Estado americano da Virginia, Erico Verissimo escreve esta carta ao filho, o também escritor Luis Fernando Verissimo, que aqui grava um comentário, em vídeo. Sob o impacto da invasão militar da Tchecoslováquia por tropas da então União Soviética, o autor de O tempo e o vento faz questão de se manifestar em relação à invasão soviética.

McLean, 26 de agosto de 1968

Louie

A invasão da Tchecoslováquia me deixou consternado e indignado ao mesmo tempo. Há dias que ando pensando em fazer alguma coisa e não consigo descobrir o quê. Esbocei dois artigos (“Carta aberta a um comunista” e “A breve primavera de Praga”) mas concluí que estava muito mixed up para poder escrever o que quer […]

Do exílio mexicano, entre as saudades do Brasil e a apreensão com relação à saúde, Herbert de Souza, o Betinho, escreve a Otto Lara Resende, que acabara de tomar posse como membro da Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano em que escreve ao amigo, Betinho é anistiado pelo governo do general Ernesto Geisel e protagoniza uma chegada emocionante no aeroporto do Galeão, abraçado pelos amigos e pela família.

México, 20 de outubro de 1979

Ottos (desculpe o plágio),

Tenho inveja de você, que é imortal. Gostaria de ter esta condição para voltar ao Brasil, e a razão é muito simples. Depois que voltei ao Brasil por quinze dias fiquei com um medo danado de morrer no Brasil. Creio que nestes últimos 43 anos de hemofílico não me caracterizei exatamente […]

No 31 de outubro, dia em que se comemora o aniversário de Drummond, o Dia D, vale lembrar que há meio século, o poeta, mais que modesto e discreto, não se sentiu à vontade para receber um toca-discos, ou uma eletrola, como se dizia na época, que um grupo de amigos quis lhe dar – é o que revela este bilhete de Cyro dos Anjos.

Rio de Janeiro, outubro de 1956

É sabido que certo cidadão de Itabira, sempre vigilante e gentil para com as comemorações de amigos, se sente mais à vontade quando o deixamos a sós, nas suas próprias comemorações.

Não obstante, um grupo desabusado de velhos cupinchas resolveu rebelar-se desta vez (tranquiliza-te, Carlos, os conspiradores são poucos, não se fez subscrição, não se […]

Colaborador da revista Clima e fundador de Grupo Universitário de Teatro (GUT) na década de 1940, Decio de Almeida Prado começava aí sua trajetória de homem dedicado ao teatro e à crítica teatral. Estava inteiramente impregnado da arte dramática quando escreveu a Cacilda Becker esta carta em que observa o momento de modernização do teatro e destaca a importância da personalidade do ator, que, para ele, se sobrepõe à técnica, por melhor que seja.

[São Paulo, janeiro de 1949]

Você pertence a uma geração teatral mais feliz que as anteriores. Em geral, o destino de cada um de nós está condicionado a uma série de circunstâncias externas. Mas, no teatro, arte escrava de um número tão grande de fatores, inclusive econômicos, arte tão dependente do grande público, arte coletiva poderíamos dizer, isso é ainda […]