Tradutor sensível do sentimento de perda que desfalcou o quarteto dos mineiros quando morreu Hélio Pellegrino, Antonio Candido expressa a tristeza e solidariedade indissociáveis em momentos assim. Estava com 70 anos quando escreveu esta carta, e já apreendia saudades da vida. Ironicamente, neste 12 de maio, dia de sua morte, muitos brasileiros encontram nas palavras dele, aqui transcritas, uma  expressão em comum.

Poços de Caldas, 2 de abril de 1988

Caros Fernando, Otto e Paulo:

Como só tenho certeza quanto ao endereço atual do Otto, mando para lá esta carta que aliás é mesmo indivisa, porque numa hora dessas não consigo pensar em cada um, mas em vocês três, mutilados do quarto amigo, cuja falta vão com certeza sentir em conjunto, como um corpo que […]

Incluída na primeira edição de Passeios na ilha, de 1952, esta carta/ crônica de Drummond é uma louvação a quem nasceu neste mês que, quase de maneira banal, é relacionado a flores, noivas e temperatura amena. Muito além do trivial, é por meio de evocação dos clássicos que o cronista, sem deitar erudição, homenageia o leitor ou aniversariante do mês.

Amigos e amigas que nascestes em maio:

Estas letras e este autor aqui estão simplesmente para se integrarem na poesia dessa circunstância e avivá-la em vós, se acaso vai murchando, como sugeri-la a todos os outros seres, infortunados seres que nasceram em março, em junho, em novembro. Porque vosso nascimento é pura canção, mesmo que […]

De Adylia Bittencourt, viúva de Jacob Pick Bittencourt, encaminhada em 15.10.1979, ao membro do Conselho de Cultura da Bahia, Sr. Gilberto Gil, questionando a forma deselegante e equivocada com que o referido conselheiro se referiu a Jacob do Bandolim, já falecido, em entrevista dada a Revista Status, em outubro de 1979.

Rio [de Janeiro], 15 de outubro de 1979

Ilustríssimo senhor
Conselheiro Gilberto Gil
Conselho de Cultura da Bahia
Senhor conselheiro,

Uma das lições de dignidade que me ensinou meu marido, Jacob Pich Bittencourt, foi não silenciar diante das inverdades. E vossa senhoria, na revista Status de outubro de 1979, nº 63, não fez outra coisa ao atacar a memória do […]

Na noite da votação das Diretas Já, movimento civil que exigia eleições presidenciais diretas no Brasil, a atriz Fernanda Montenegro escrevia ao amigo e dramaturgo Augusto Boal, com quem manteve constante correspondência durante o período em que ele esteve no exílio. Antes de enviá-la, Fernanda já podia dar a má notícia do resultado, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.[1]

Rio [de Janeiro], 25 de abril de 1984

Querido Boal,

Acabo de receber sua carta, dizendo que você chega breve.

Hoje, no Brasil, vivemos uma noite especial, pois estão sendo votadas as Diretas no Congresso, e tudo pode acontecer. Multidões estão de plantão em todo o país. A votação vai pela noite.

Boal, tudo mudou nos planos do Theatro Municipal. Tatiana saiu. O […]

Estudante de Direito em São Paulo, curso que, assim como o de Medicina, não concluiria, Olavo Bilac escreve esta carta ao também poeta parnasiano Alberto de Oliveira, de cuja irmã estava apaixonado e noivo. Em estilo arrebatado, e mesmo divertido no exagero da manifestação do sentimentos de amizade, Bilac não terá em Alberto o cunhado que contava ter. A família Oliveira, que inicialmente concordara com seu casamento com Amélia, acaba por recusá-lo, pondo fim à relação que inspirou os versos de “Panóplias”, “Via Láctea” e “Sarças de fogo”. Nenhum dos dois amantes jamais se casou, e, a partir de 1918, ano em que Bilac morreu, Amélia levou rosas vermelhas semanalmente ao túmulo até a morte dela, em 1945. 

São Paulo, 1º de outubro de [18]87

Meu amor,

Foi agora mesmo, lendo os teus adoráveis versos – “A alma e o sol” – na Semana,[1] que me veio a lembrança de ainda uma vez te escrever, pérfido, estranhando o teu silêncio. Por que não me escreves? Que mal te fiz eu?

Já não quero uma carta longa, tão longa […]