Antes de mudar-se definitivamente para o Brasil em 1932, o pintor Lasar Segall morou no país por cinco anos, a partir de 1923. As razões que motivaram sua vinda em novembro desse ano, além da análise que faz da situação do artista, de um modo geral, e da sociedade europeia naquela época, estão descritas nesta carta ao irmão Oscar, antes da primeira visita.

Berlim, 19 de fevereiro de 1923

Caro Oscar!

Devo infelizmente confessar que me é bastante penoso escrever cartas; do contrário, terias já há muito ouvido notícias minhas. Tuas cartas, que muito me interessam, há meses me observam e me solicitam de cima de minha escrivaninha, e queixam-se de minha falta de energia. Estivéssemos nós juntos agora, eu te contaria detalhadamente sobre […]

Ainda sob efeito da emoção causada pela morte de um grande amigo, o contista Murilo Rubião, sob o impacto da perda, faz reflexões importantes nesta carta a Otto Lara Resende, retomando a contato epistolar após o período de luto.

Belo Horizonte, 25 de outubro de 1948

Querido Otto,

Nem sei mais o que escrevi na outra carta (a que segue com esta). Ficou em cima da mesa, enquanto acontecimentos per­turbadores me deslocavam da minha habitual solidão. Não foi o amor. Uma tristeza maior, causada pela morte de um grande amigo, momentaneamente, me fez esquecer os amigos vivos. Volto agora, com retemperada […]

Amigos desde a infância, em Belo Horizonte, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino mantiveram entre si – e com Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, com quem formavam o grupo dos “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse” – constante e divertida correspondência, como prova esta carta escrita pelo autor de O encontro marcado.

Rio [de Janeiro], 7 de junho de 1945

Hélio,

Vou te escrever uma carta amanhã. Uma carta mesmo de verda­de, para o Murilo [Rubião] levar. São três horas da manhã, estou cansado.

Fiquei comovido com sua Carta-Poema. Você é um grande poe­ta, um grande amigo, um grande sacripanta.[1]

É engraçado, Hélio, não há meios de segurar o tempo, e eu queria […]

O encontro de Goeldi com o tcheco Alfred Kubin na Galeria Wyss, em Berna, 1917, foi decisivo na formação do artista brasileiro que fazia ali sua primeira exposição individual. Iniciada em 1926, a correspondência entre os dois inclui cartas como esta, na qual o gravador carioca descreve a paisagem do Rio de Janeiro, cidade que Kubin não conhecia.

Rio [de Janeiro], 16 de dezembro de 1930

Caro e venerado mestre,

Caro senhor Kubin,

O lindo livro com as suas maravilhosas ilustrações está bem guardado e me dá muita alegria. Eu moro aqui, ao lado do mar, na baía mais afastada do Rio “Praia-Ipanema-Leblon”. Das poucas casas que de vez em quando aparecem neste deserto de areia pode-se ver quase que só […]

O amigo que quisesse um boa conversa, certamente pensaria logo em Otto Lara Resende. Foi o que aconteceu com o crítico teatral Sábato Magaldi que, sob efeito da boa notícia de ter recebido o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, mas impossibilitado de uma conversa face a face, escreve esta carta ao amigo.   

Aix, 31 de abril de 1990

Meu caro Otto,

Amanhã é seu aniversário e como não terei oportunidade de telefonar a você (pretendemos sair de Aix), mando meu abraço epistolar, que só será recebido mais tarde. Morro de saudades de um bom papo. A gente se encontrará, nas minhas férias?

O Lêdo me comunicou que a Academia me atribuiu o Prêmio […]