Não é comum ler-se uma carta tão divertida para tratar de assunto sério como a posse na Academia Brasileira de Letras. É o que faz o escritor e diplomata Ribeiro Couto, consagrado autor do romance Cabocla, quando seu amigo, o poeta Lêdo Ivo, preparava-se para ser empossado na Casa de Machado de Assis.

Belgrado, 24 de março de 1961

Meu caro Lêdo Ivo,

Já não me lembrava daquela história do acento circunflexo no Lêdo. En­tretanto, eu teria feito hoje mesmo a mesma reflexão se você, me aparecen­do com 18 anos como então, tivesse o ar de quem aceita sugestões afetuosas de um camarada já vivido. Continuo achando inútil o circunflexo.[1]

Não vá […]

Na Paris de 1948, tomando café em Montparnasse e falando “despudoradamente de pintura”, Iberê Camargo e Mário Carneiro construíram uma amizade que se manteria por meio de cartas como esta, em que impressões e angústias sobre arte são tema.

Rio de Janeiro, 8 de novembro de 1957

Caríssimo general,

Ontem terminei um quadro que me custou muito trabalho. Trata-se de uma tela grande.[1] Mede 1,50m x 0,53m – retângulo áureo – onde alinhei uma porção de latas, garrafas, laranjas, enfim, os meus brinquedos de sempre. Trabalhei nesse quadro mais de um mês, gastei uma pequena fortuna em tintas. Mais de […]

Regente e ex-diretor do Teatro Municipal, Francisco Mignone, ou Chico Bororó, como assinava suas composições ligadas à música popular, já era casado com a concertista Maria Josephina quando precisou viajar ao Canadá, a trabalho. De lá, enviou esta carta apaixonada à mulher – para ele, uma forma de “zelar por esse nosso amor grande”.

Montreal, 30 de abril de 1964

Minha cada vez mais querida Jô,

Se você soubesse ou pudesse imaginar ou longe supor do como e quanto eu fico entristecido para comigo mesmo quando, sem o querer, digo coisas que lhe dão pesar e tristeza, você de imediato perdoaria a este “seu Franz”. – O meu amor por você é tão grande, tão […]

Esta carta do autor de Capitães da areia foi escrita especialmente para o Calendário Pirelli de 1971, cujo tema era “a Bahia de Jorge Amado”. Nela, o escritor fala de seu estado natal e também de seus livros e personagens famosos, como Dona Flor e Gabriela. Reproduz-se aqui uma pequena parte da edição em livro que pertence ao arquivo de Otto Lara Resende, sob a guarda do Instituto Moreira Salles.

Salvador, junho de 1970

A admiradora perguntou ao pintor Carybé, o mais baiano dos baianos:

— O senhor nasceu na Bahia?

O pintor das mulatas, dos orixás, da puxada de xaréu,[1] da capoeira, respondeu com seu sorriso breve:

— Não mereci, minha senhora.

Bem que merecia e ninguém mais do que ele pois de suas mãos mágicas […]

Aos 18 anos, quando publicou seu primeiro livro, Os grilos não cantam mais (1941), Fernando Sabino enviou um exemplar a Mário de Andrade, àquela altura já escritor de grande prestígio. A resposta do autor de Macunaíma deu início a um diálogo epistolar por meio do qual se estabeleceu uma relação de mestre e discípulo de que esta carta é exemplo.

São Paulo, 16 de fevereiro de 1942

Fernando Sabino,

Vou pegar esta segunda-feira de carnaval pra lhe responder mais longamente. Você já deve ter recebido um cartão meu a respeito do assunto que você me propôs. É que a sua carta respirava um tal desejo de saber logo o que eu imaginava sobre o problema que tocava imediatamente a prática de sua […]