Transplantados de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro desde a década de 1940, onde se destacaram no jornalismo carioca, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende mantiveram-se unidos por toda a vida. Entre 1957 e 1959, quando o segundo esteve como adido cultural do Brasil em Bruxelas, Paulo lhe escrevia cartas ou publicava crônicas, como esta, para se aproximar do amigo.

Meu caro e velho Pajé,

Imagine você que recebi de presente uma caixa de papel de carta uma beleza, que eu enviaria gostosamente à madame Sévigné[1] de nossa época, se lhe soubesse o nome e endereço. Enfim, voilà une lettre! Às vezes dou comigo invejando você aí em Bruxelas ou o ve­nerando [Murilo] […]

A perplexidade de Paulo Autran com a reação negativa da plateia à peça Traições, de Harold Pinter, que dirigiu e protagonizou, é tema desta carta que recebeu de um espectador sensível. Traições estreou no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1983, em curta temporada.

Rio [de Janeiro], 9 de fevereiro de 1983

Meu caro Paulo,

Sei que a carta de um espectador entusiasmado diante da altíssima qualidade do espetáculo Traições não lhe poderá servir de conforto, após a pouca receptividade do público ao texto do Harold Pinter.

Entretanto, em minha longa experiência como professor, ao enfrentar turmas de quarenta, cinquenta alunos, encontrava em cada uma apenas uma […]

A convicção de Lotta de Macedo Soares a respeito de um parque público que possibilitasse lazer ao povo levou-a a idealizar o Parque do Flamengo, cujo projeto arquitetônico e urbanístico é de autoria de Affonso Eduardo Reidy. Tomada de entusiasmo especialíssimo, e não satisfeita com a simples conclusão da obra, queria garantir-lhe futuro: passou a lutar por uma Fundação capaz de manter o Parque. Esta carta deixa claro o empenho com que Lotta batalhava pela preservação, além de mostrar sua visão de futuro. Escreveu na véspera do dia que ficou estabelecido como a data oficial de inauguração.

Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, 16 de outubro de 1965

Rachel muito querida,

Os argumentos para a “Fundação do Parque do Flamengo” são poucos, mas creio que decisivos e imprescindíveis.

A minha intenção quando comecei a obra era de obter do Rodrigo M. Franco[1] o tombamento, o que já foi feito por unanimidade apesar do Conselho ter vários inimigos do Carlos,[2] […]

Grande foi a tarefa de Jacob do Bandolim ao gravar a histórica suíte Retratos, com regência de Radamés Gnattali, autor da composição a ele, Jacob, dedicada e comentada por Bia Paes Leme na Rádio Batuta, do IMS. Toda a gratidão e devoção do bandolinista homenageado ressaltam nesta carta ao maestro.

S.l., 23 de outubro de 1964

Meu caro Radamés,

Antes de Retratos,[1] eu vivia reclamando: “É pre­ciso ensaiar…”. E a coisa ficava por aí: ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: “Mais do que ensaiar, é necessário estudar!”. E estou estudando. Meus rapazes também (o pandeirista já não fala em paradas: “Seu Jacob! O senhor aí quer […]

O carnaval baiano é precedido do Festival de Verão de Salvador, que junta os ritmos mais diversos com a presença de artistas das mais variadas origens. Gabriel, o Pensador, que se apresentou naquele ano de 2002, saiu tão impressionado com a atmosfera do encontro que precisou escrever esta carta a Gilberto Gil.

[Salvador], 11 de fevereiro de 2002

Gil querido!

Eu tô no avião e já morrendo de saudades! De você, do trio, de Salvador… de milhares e milhares de pessoas que fizeram amor comigo e com a gente ontem de uma maneira tão apaixonada e apaixonante! Dali nenhuma alma consegue sair de biscoito seco. Foi um orgasmo físico, mental e espiritual maravilhoso, […]