Quem vê a euforia e o colorido no Sambódromo, no Rio de Janeiro, nas noites de desfile das escolas de samba, talvez não imagine as tensões inerentes à sua concepção, como conta, nesta carta, José Carlos Sussekind, engenheiro calculista da obra, a seu amigo e arquiteto Oscar Niemeyer.

Petrópolis, 25 de março de 2001

Oscar,

Estava eu relembrando um almoço agradável desta semana com Brizola e outros amigos e eis que, pouco depois, entra no meu fax sua nova carta, a ele se referindo como exemplo de coragem e reserva de resistência nacional.

Parece que foi ontem – e, na verdade, quase vinte anos já se passaram – quando, […]

Um dos maiores interlocutores de Augusto Boal quando o criador do Teatro do Oprimido esteve exilado, em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), Chico Buarque certa vez lhe mandou notícias por meio da canção Meu caro amigo, gravada em fita K7 e enviada além-mar. Esta versão, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta,[1] contém trechos excluídos na versão final. O fato só seria revelado publicamente em 2016, quando a equipe do IMS entrevistou o compositor, que se surpreendeu, ele mesmo, com os versos.

Rio [de Janeiro], 20 de julho [de 1975]

Caro Boal,

Você é um sacana. Peguei o seu Milagre no Brasil[2] no fim da tarde e é evidente que não consegui dormir. Terminei a leitura de manhã e perdi o dia. Mas ganhei muito mais. Que porrada. Não sei se este é o famigerado que eu trouxe para o Ênio [Silveira], e […]

Do sítio do amigo Octavio de Faria, em Itatiaia, onde penava um dos primeiros desencontros amorosos que experimentaria na vida, o poeta do “Soneto de fidelidade” escreve à mãe, dona Lydia, sobre seu estado de espírito.

Itatiaia, 13 de janeiro de 1935

Minha mãe,

Só agora me sinto com um pouco mais de coragem para me sentar e escrever. Estava espatifado. Depois de ter passado quase que toda a noite em claro e de ter feito uma viagem em que a maior preocupação foi “não formar ambiente de enterro”, cheguei ao sítio mais morto do que vivo, […]

Musa de Henri-Georges Clouzot, cineasta francês com quem se casou em 1948, Vera Gibson Amado, filha de Gilberto Amado e Alice Gibson, teve sua carreira no cinema precocemente interrompida, aos 46 anos, ao sofrer um ataque cardíaco em Paris, onde vivia. Nesta carta aberta, Rachel de Queiroz se solidariza com o pai da jovem atriz.

S.l., 4 de fevereiro de 1961

Desde que li nos jornais a notícia da morte de Vera, Vera Amado Clouzot, a estrela de cinema, Vera, a sua filhinha, desde esse dia que fico inventando palavras de consolo para lhe dizer e não encontro nenhuma. É fácil, há muito que falar quando se trata da perda de outros amores. Mas filho não. […]

Anos após a perda do irmão, Paschoal Carlos Magno escreveu esta carta ao sobrinho, Armando, que criara como filho. A retrospectiva revela a ternura e o empenho com que o tio cuidou da formação de Armando na atual Casa Paschoal Carlos Magno, que abriga o Teatro Duse, em Santa Teresa.

S.l., 1º de janeiro de 1953

Tinhas meio palmo de altura quando ficaste órfão.

Teu pai era um dos homens mais feios do mundo; mas inteligente e culto, com uma con­versa fascinante. E viajadíssimo.

Daí em diante tomei a tarefa de olhar por ti como se fosses meu filho.

E cresceste na nossa casa tão cheia de livros de teatro, de […]