De seu primeiro posto diplomático, em Vigo, na Espanha, o escritor Aluísio Azevedo escreve esta carta fervorosa ao amigo Pedro Freire, dando provas de arrebatamento fraterno, além de impressões sobre o povo e a cidade. Com relação ao primeiro, compara-o ao do Maranhão, seu Estado natal, sem que tenha Vigo “a índole hospitaleira de nossa terra”.

Vigo, 24 de junho de 1896

Meu bom e querido Pedro Freire,

Ora, venha de lá esse abraço! Ainda há pouco, às 8h00 da manhã, quando o correio me entregou a tua carta de 1º do corrente e no sobrescrito dela reconheci tua letra, confirmada pelo dístico da tua secretaria, tive tão vivo prazer, que este dia, dia de São João, […]

Quando o pintor e poeta Vicente do Rego Monteiro propôs a João Cabral de Melo Neto publicar Pedra do sono na revista Renovação, que editava, Cabral entrou em pânico e tentou, inutilmente, demover o amigo da ideia. Conseguiu dele, porém, a promessa de que do livro não se faria uma separata, como era costume, e que a publicação ficaria subordinada à opinião de Carlos Drummond de Andrade. “Sinto que não é esta a poesia que eu gostaria de escrever”, afirmara em carta a Drummond, que, em resposta, lhe enviou esta, incentivando-o a publicar os poemas mesmo assim.

Rio [de Janeiro], 17 de janeiro de 1942

Meu caro João Cabral,

A falta de resposta deve implicar consentimento, não desaprovação. Como você pensa de outro modo, quero manifestar-lhe expressamente minha opinião sobre a inclusão do seu livro na coletânea de Vicente do Rego Monteiro.[1] Acho que você deve publicar. Sou de opinião que tudo deve ser publicado, uma vez que […]

Protagonistas de uma história de amor e de política, Olga Benário Prestes e Luiz Carlos Prestes casaram-se e continuaram a cumprir a missão da Internacional Comunista no Rio de Janeiro. Presa e depois extradita para a Alemanha, Olga deu à luz Anita Leocádia numa prisão em Berlim. De lá, escreveu esta carta ao marido, preso no Rio, dando notícias de Pom-Pom, apelido da filha, que seria libertada em 1938.

Berlim, 9 de agosto de 1937

Carlos, meu querido,

Conforme o prometido, quero escrever-te. Inicialmente, desejo falar-te da permissão que obtive para conversar com a madame Ewert.[1] Por fim as administrações cederam às mesmas solicitações repetidas e, assim, pude revê-la pela primeira vez após dez meses e mostrar-lhe nossa filhinha. Compreenderás que, após todos os sofrimentos comuns, eu a […]

No exílio entre 1971 e 1986, o dramaturgo Augusto Boal se correspondeu com uma série de amigos que lhe davam notícias da situação política e cultural do Brasil sob o regime militar. Todo um panorama do universo artístico de 1978 é vivamente descrito, nesta carta, pelo ator e diretor Fernando Peixoto, ligado ao Teatro Oficina e ao Teatro de Arena, a que Boal é visceralmente  ligado. Parte dessa correspondência integra a exposição Meus caros amigos – Augusto Boal – cartas do exílio, em cartaz no IMS de 4 de junho a 21 de agosto de 2016.

São Paulo, 4 de março [de 1978]

Boal,

Acabo de escrever 26 laudas sobre você! Misturei Liège e Paris, num longo artigo-reportagem para a revista do Ênio [Silveira]. O Milagre[1] vai sair breve. Escrevi um projeto da edição do teu teatro. Não encontrei com ele pessoalmente, mas me parece que a coisa sai. Sei que ele vai editar também o […]

Três dias depois do golpe militar no Brasil, o pensador católico Alceu Amoroso Lima escreveu esta carta à filha, Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo. Tristão de Athayde, como ficou conhecido, foi fervoroso crítico do regime dos generais e condena os acontecimentos que, com lucidez, caracterizaria como uma “onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país”.

Petrópolis, 4 de abril de 1964

Estamos vivendo uma hora muito sombria, em que urge a restauração ou a instauração de um governo civil, para pôr cabo à onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país e se traduziu particularmente em Belo Horizonte com o varejamento do Convento dos Dominicanos (sic). Leio nos jornais o relato e o protesto de […]