Na noite da votação das Diretas Já, movimento civil que exigia eleições presidenciais diretas no Brasil, a atriz Fernanda Montenegro escrevia ao amigo e dramaturgo Augusto Boal, com quem manteve constante correspondência durante o período em que ele esteve no exílio. Antes de enviá-la, Fernanda já podia dar a má notícia do resultado, como se pode ouvir na leitura em vídeo ao final da carta.[1]

Rio [de Janeiro], 25 de abril de 1984

Querido Boal,

Acabo de receber sua carta, dizendo que você chega breve.

Hoje, no Brasil, vivemos uma noite especial, pois estão sendo votadas as Diretas no Congresso, e tudo pode acontecer. Multidões estão de plantão em todo o país. A votação vai pela noite.

Boal, tudo mudou nos planos do Theatro Municipal. Tatiana saiu. O […]

Estudante de Direito em São Paulo, curso que, assim como o de Medicina, não concluiria, Olavo Bilac escreve esta carta ao também poeta parnasiano Alberto de Oliveira, de cuja irmã estava apaixonado e noivo. Em estilo arrebatado, e mesmo divertido no exagero da manifestação do sentimentos de amizade, Bilac não terá em Alberto o cunhado que contava ter. A família Oliveira, que inicialmente concordara com seu casamento com Amélia, acaba por recusá-lo, pondo fim à relação que inspirou os versos de “Panóplias”, “Via Láctea” e “Sarças de fogo”. Nenhum dos dois amantes jamais se casou, e, a partir de 1918, ano em que Bilac morreu, Amélia levou rosas vermelhas semanalmente ao túmulo até a morte dela, em 1945. 

São Paulo, 1º de outubro de [18]87

Meu amor,

Foi agora mesmo, lendo os teus adoráveis versos – “A alma e o sol” – na Semana,[1] que me veio a lembrança de ainda uma vez te escrever, pérfido, estranhando o teu silêncio. Por que não me escreves? Que mal te fiz eu?

Já não quero uma carta longa, tão longa […]

É compreensível que os brasileiros associem a arquitetura de Oscar Niemeyer essencialmente a Brasília. Entre as questões mais importantes de seus projetos está a do espaço, tema desta carta ao engenheiro calculista José Carlos Sussekind.

S.l., 13 de julho de 2001

Sussekind,

Há muitos anos, creio eu, não ficava cinco dias sem trabalhar. Desta vez resolvi atender meu médico e manter o braço na tipoia, como ele pediu.

Foi uma boa experiência. Continuei a frequentar o escritório das nove da manhã às nove da noite. Mas sem desenhar, sozinho, na sala dos fundos, que é meu […]

Diplomata e morador de Belgrado, capital da atual Sérvia e Montenegro, Ribeiro Couto, o romancista de Cabocla, passava férias na França quando escreveu esta carta bem-humorada a respeito do tratamento a que se submetia na estação de cura francesa. O destinatário é o amigo e escritor Afonso Arinos de Melo Franco, então deputado federal por Minas Gerais.

Vittel [França], 29 de junho de 1956

Afonsoca,

Estou tendo a surpresa de receber de Belgrado esta carta que te enviei para Roma e tem o carimbo de 23 de fevereiro. A Embaixada em Roma, ao invés de procurar recambiá-la para o endereço que porventura hajas ali deixado (se o deixaste), acabou, quatro meses depois, por devolvê-la…

Não sei de que carta […]

Joaquim Nabuco e Eufrásia Leite protagonizaram um dos mais célebres romances do Brasil no século XIX. O relacionamento durou quatorze anos, até 1887, período em que se corresponderam, apesar dos incontáveis rompimentos a que se seguiam doces reconciliações. Poucas são as cartas que restaram desse período. Dois anos depois da separação, Nabuco se casou com Evelina Ribeiro. Eufrásia jamais se casaria.

Dakar [Senegal], bordo do Congo, 31 de dezembro de 1885

Não imagina que tristeza, que saudades e que arrependimento de ter deixado o Brasil. Quando penso que em janeiro poderíamos estar juntos, ao menos poderia ter notícias suas, de sua eleição,[1] saber o que se passa ou o que vai fazer, e não estar inquieta como estou, temendo que lhe aconteça alguma coisa, […]