Três dias depois do golpe militar no Brasil, o pensador católico Alceu Amoroso Lima escreveu esta carta à filha, Maria Teresa, religiosa que professava no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo. Tristão de Athayde, como ficou conhecido, foi fervoroso crítico do regime dos generais e condena os acontecimentos que, com lucidez, caracterizaria como uma “onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país”.

Petrópolis, 4 de abril de 1964

Estamos vivendo uma hora muito sombria, em que urge a restauração ou a instauração de um governo civil, para pôr cabo à onda de terrorismo e fanatismo que invadiu o país e se traduziu particularmente em Belo Horizonte com o varejamento do Convento dos Dominicanos (sic). Leio nos jornais o relato e o protesto de […]

Os temas de amor e morte, dominantes na poesia de Schmidt, têm origem no seu permanente estado amoroso e sua profunda angústia em relação à morte. Para aguçar os conflitos que já lhe eram naturais, surgiu Yedda Ovalle Schmidt, com quem o poeta se casaria para viver uma relação intensa, a que não faltou sofrimento, como mostra esta carta.

[Rio de Janeiro], s.d.

Amanhã não verei você. Os céus estão fechados pa­ra mim. Seu amor me inquieta de uma maneira terrí­vel e continuada. Hoje, pensei que de um momento pa­ra outro a posso perder e senti meu coração pesado e triste. Fora de você só há a morte. A cada momento que passa, eu sinto como é infinita […]

Casada com o diplomata Maury Gurgel Valente desde 1943, Clarice Lispector acompanhou-o em todos os postos mundo afora. Na capital suíça ela deu à luz seu primeiro filho, Pedro, que de tão bonito o chamou também de Gildo, evocando a beleza de Rita Hayworth no filme Gilda, de 1946.

Berna, 11 [de] setembro [de] 1948

Minhas irmãzinhas queridas,

Vocês devem ter recebido o telegrama de Maury – Pedro nasceu ontem, dia 10, às 7h30 da manhã. Estou escrevendo na madrugada de 11, porque não posso dormir direito. Estamos muito contentes, Maury e eu: a criança é sadia, fortona, pesa uns três quilos, seiscentos – por enquanto é a cara do […]

A ardente experiência amorosa vivida pelo romancista Aluísio Azevedo em Lisboa contribuiu para que ele considerasse a capital portuguesa melhor que Vigo, cidade espanhola onde, em 1895, ele dava início à sua carreira diplomática – é o que revela esta carta plena de entusiasmo e erotismo, escrita ao amigo Florindo de Andrade.

Vigo, 2 de setembro de 1896

Florindo,

Tua carta foi a minha alegria. Dei graças aos céus em a recebendo, porque supunha já que não existias, dúvida que me trazia o espírito atribulado, porque tu não és simplesmente um homem, tu és uma geração, és um símbolo.

Ouve lá, oh tu! — se te agrada saber que é grata a minha […]

Após a morte de Tomie Ohtake em fevereiro de 2015, o instituto que leva seu nome, em São Paulo, realizou a exposição “Tomie Ohtake 100-101”, em que foram expostas cerca de trinta telas, pintadas no centésimo primeiro e último ano de vida da artista. Após sua morte, o curador da exposição, Paulo Myiada, voltando no tempo, lhe escreve seis cartas, entre as quais esta, que trata da polêmica “Estrela do mar”, obra instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, onde ficou de 1985 a 1990.

Para São Paulo, 1985

Querida Tomie,

Não sei se você conhece a superstição, mas me diverte quando dizem que nossas orelhas ficam quentes quando falam da gente – a direita, se falam bem, a esquerda, se falam mal. Se for verdade, você provavelmente não está precisando cobrir a cabeça para dormir no frio! Em São Paulo, a exposição organizada […]