O amigo que quisesse um boa conversa, certamente pensaria logo em Otto Lara Resende. Foi o que aconteceu com o crítico teatral Sábato Magaldi que, sob efeito da boa notícia de ter recebido o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, mas impossibilitado de uma conversa face a face, escreve esta carta ao amigo.   

Aix, 31 de abril de 1990

Meu caro Otto,

Amanhã é seu aniversário e como não terei oportunidade de telefonar a você (pretendemos sair de Aix), mando meu abraço epistolar, que só será recebido mais tarde. Morro de saudades de um bom papo. A gente se encontrará, nas minhas férias?

O Lêdo me comunicou que a Academia me atribuiu o Prêmio […]

Figura trágica da monarquia brasileira, Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança foi preparado para suceder ao avô, dom Pedro II. Bonito e culto, mas frágil emocionalmente, esse filho da princesa Leopoldina, que deveria tornar-se dom Pedro III, acompanhou de perto a morte do imperador do Brasil no exílio, em Paris. Seu testemunho pode ser lido nesta carta à tia, a duquesa Alexandrina de Saxe-Coburgo e Gotha. 

Paris, 29 de dezembro de 1891

Minha querida tia,

Devo pedir-lhe mil desculpas por meu atraso. Acredite, foi devido ao estado de tristeza e ao repouso no qual me encontro desde a catástrofe do dia 5 deste mês.

Faço questão também de agradecer-lhe de todo o coração essas novas demonstrações de afeto quase maternais.

Minha carta parecerá talvez insuficiente para exprimir […]

O aumento da repressão provocado pelo AI-5 em 1968 fez com que a correspondência do pensador Alceu Amoroso Lima com sua filha Maria Teresa, madre no mosteiro de Santa Maria, em São Paulo, se tornasse cada vez mais indignada com a posição de amigos e da imprensa diante do regime militar instaurado em 1964. “Como você vê, não vejo nenhuma janela próxima por onde se possa respirar”, escreve nesta carta, no momento em que o país vivia sob a presidência de Arthur da Costa e Silva.

Petrópolis, 9 de fevereiro de 1969

Já quase meio-dia. Leitura descansada dos jornais, embora estes continuem a apresentar o aspeto melancólico e, sobre­tudo, o Correio da Manhã, de uma imprensa autoamordaçada pelo militotalitarismo que é, agora, o regime a que estamos submetidos desde o trágico dia 13 de dezembro de 1968, em que se consumou – por tempo indefinido – a […]

“Foi amor à primeira vista”, afirmou Caio Fernando Abreu sobre Ana Cristina Cesar, que conheceu em 1982, ano do lançamento de A teus pés, primeiro livro da poeta homenageada na FLIP de 2016. A amizade se desenvolveu por meio de cartas e encontros que perduraram até a morte dela, em 1983. Doze anos depois, o escritor, cujos 20 anos de morte se completaram em 2016, publicou esta carta, enviada por Ana, em uma matéria que escreveu para o jornal O Estado de S. Paulo.

Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1982

Te escrevo, Caio querido, com teu telefonema ainda quente, deixo Proust de lado e a burocracia editorial da lista de nomes e endereços e ceps, que me consola como um álbum de figurinhas. Ando gemebunda. Aguardo bem o livro[1] mas com aflição do número imprensa e dos falsos elogios dos amigos. Lançamento vai […]

De seu primeiro posto diplomático, em Vigo, na Espanha, o escritor Aluísio Azevedo escreve esta carta fervorosa ao amigo Pedro Freire, dando provas de arrebatamento fraterno, além de impressões sobre o povo e a cidade. Com relação ao primeiro, compara-o ao do Maranhão, seu Estado natal, sem que tenha Vigo “a índole hospitaleira de nossa terra”.

Vigo, 24 de junho de 1896

Meu bom e querido Pedro Freire,

Ora, venha de lá esse abraço! Ainda há pouco, às 8h00 da manhã, quando o correio me entregou a tua carta de 1º do corrente e no sobrescrito dela reconheci tua letra, confirmada pelo dístico da tua secretaria, tive tão vivo prazer, que este dia, dia de São João, […]