O golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo no Brasil, levou o jornalista Júlio de Mesquita Filho ao exílio pela segunda vez. Refugiado em Paris, para onde a mulher e os três filhos seguiriam ao seu encontro, só voltaria ao Brasil em 1943. De Buenos Aires, onde morou depois de deixar a capital francesa, e já desgastado pela longa ausência, escreve esta carta à mulher, no Rio de Janeiro.

Buenos Aires, [1940]

Marina,

Todas as perguntas que você me formulou, ontem, eu já as havia antecipadamente respondido na minha última carta. Nada ficou sem respostas, nem mesmo o que eu penso do futuro e o que penso fazer daqui por diante. É curioso que vinte anos de convívio de todos os instantes não tenham sido o bastante […]

No aforismo que intitulou “Causa mortis”, Millôr já advertia: “Cinquenta por cento dos doentes morrem de médico”. É esse o teor do cartão-postal que envia ao dramaturgo e amigo Augusto Boal, exilado na França.

Rio [de Janeiro], 9 de dezembro de 1982

Meu caro Boal,

Recebi tua carta. Fica tranquilo – foi a primeira. Você não escreveu outra. Gostei de receber esta. Estimo que você melhore logo. Para isso é fundamental […]

Entre a solidão no momento de deixar Paris, onde assumira em 1963 o posto diplomático de delegado do Brasil junto à UNESCO, e os planos para sua chegada ao Brasil, Vinicius de Moraes escreve a Tom Jobim sobre o estado de espírito que o deixa inquieto.

Porto do Havre [França], 7 de setembro de 1964

Tomzinho querido,

Estou aqui num quarto de hotel que dá para uma praça que dá para toda a solidão do mundo. São dez horas da noite e não se vê viv’alma. Meu navio só sai amanhã à tarde e é impossível alguém estar mais tris­te do que eu. E, como sempre nestas horas, escrevo para […]

Amigo do português João de Barros, com quem criou a revista Atlântida a fim de aproximar o Brasil de Portugal, João do Rio (Paulo Barreto) não deixava de contar ao sócio as notícias mundanas do Rio de Janeiro, como nesta carta tão divertida quanto informativa.

[Rio de Janeiro], fevereiro [de 1912]

Meu caro João,

Chegou a Ema.[1] Criaturinha insignificante. O José Moraes (o empresário) literalmente sem dinheiro, porque ela em dois anos comeu-lhe duzentos contos e estragou-lhe vários negócios, não quer ser amante e ama-a. A Ema dá ataques e fornica com toda a gente […]

Os frequentadores ou visitantes do Sambódromo, no Rio de Janeiro, certamente desconhecem as ideias originais de Oscar Niemeyer, o arquiteto que o concebeu. Lendo esta carta ao engenheiro calculista da obra, fica-se sabendo a distância que há entre o que foi pensado e o que seria realizado em tão curto tempo.

S.l., 14 de outubro de 2001

Sussekind,

Aconteceu tanta coisa que a nossa correspondência deixou de nos entreter há quase um mês, e, pensando retomá-la, fico sem saber como começar.

Gostei do entusiasmo com que você fala do Sambódromo, e nele o acompanho, como colaborador que fui de vocês naquela obra. Infelizmente, meu amigo, dela, como arquiteto, guardo uma mágoa difícil […]