Do Grand Hotel Saint-Michel, em Paris, Jorge Amado escreve à mulher, Zélia, cartas reveladoras da atividade política que desenvolvia na insegura Europa do pós-guerra, onde se exilara após a cassação do mandato de deputado pelo Partido Comunista Brasileiro, declarado ilegal em 1947. A correspondência mostra ainda o esforço de um homem apaixonado para superar a ausência da companheira de toda a vida.

Paris, 23 de março de 1948

Querida minha, minha negra saudosa, meu amor mais lindo do mundo, novamente estou há uma semana sem cartas tuas, sem saber se estás no Rio ou em São Paulo, o correio de ontem trouxe carta da Argentina (de Rodolfo Ghioldi)[1] mas nada do Brasil. Não sei nem de ti, nem de João, nem […]

Divertindo-se com as fofocas do meio literário e político carioca que temperavam suas cartas ao amigo português João de Barros, com quem fundara a revista Atlântida, João do Rio (Paulo Barreto) comenta, nesta carta, um caso de adultério que envolveu o jornalista português Brito Camacho, além de outro episódio que incluía o destinatário e o escritor brasileiro Sebastião Sampaio, interlocutor de João do Rio no diálogo aqui reproduzido.

[Rio de Janeiro], novembro [de] 1912

João, queridíssimo,

Tenho uma coisa impagável. Lembras-te do Amaral França,[1] o elegante senhor do Paiz? Era o amante da madame Camacho![2] O marido, aquele cretino com ares de boneco de alfaiate barato – soube! Soube e teve ciúme. Então mandou cinco, nota bem, cinco amigos seguirem a feia Camacho e quando […]

O cotidiano de Luiz Carlos Prestes na prisão pode ser conhecido nesta e em outras cartas graças à campanha para libertação dos presos políticos, liderada por sua mãe, Leocadia Prestes, que teve ganhos importantes como a permissão para se corresponder com o filho. Lendo esta carta, é possível, hoje, saber das aflições e saudades do líder comunista, que seria solto apenas em 1945 com a anistia.

Rio [de Janeiro], 28 de dezembro de 1937

Minha querida mamãe,

Se receberes estas linhas, como espero, a tua alegria será tão grande quanto a minha, desde ontem. Imagina tu, querida mãe, que as tuas cartas me estão sendo novamente entregues e tudo me faz crer que, afinal, se restabelece a regularidade de nossa correspondência. No dia 22 recebi as tuas linhas de […]

De Berna, na Suíça, onde acompanhava o marido, o diplomata Maury Gurgel Valente, a escritora Clarice Lispector envia esta carta carinhosa à irmã Tania Kaufmann em que fala, dentre outras coisas, da gravidez de seu primeiro filho, Pedro, e da saudade que sente. A carta integra conjunto de cerca de quarenta missivas inéditas do acervo da escritora, sob a guarda do IMS.

Berna, 21 [de] fevereiro [de] 1948

Tania, minha filhinha querida, minha bonequinha,

Recebi sua carta com os retratos de Márcia[1] – um pouco atrasado porque estava em Saint-Moritz. Quando abri e vi Marcinha, meu coração se aqueceu de carinho. Nunca vi criança mais bonita! Como há muito tempo não via os retratos, no fim eu já me perguntava se […]

Este poema-epístola enviado como carta por Paulo Leminski ao poeta e amigo Régis Bonvicino integra um conjunto que, para o último, não só confirma a ideia de dissolução de limites na poesia de Leminski, como também mostra seu processo criativo e sua concepção de poesia.

S.l., outubro de 1977

Paulo, pequeno irmão,
da pequena cidade de Curitiba,
ilha de certeza
cercada de pequenos problemas por todos os lados,
a Régis, grande irmão,
na grande cidade de São Paulo,
cercado por um grande problema

………….

pare de se lamentar
como uma velha carpideira siciliana

esse teu medo de […]